A Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas – Dra. Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP), intensificou o monitoramento epidemiológico nos 62 municípios do estado do Amazonas. A medida ocorre após os recentes casos de sarampo registrados no país. O objetivo é garantir uma resposta rápida a possíveis novos casos e fortalecer a contenção da doença.
A FVS-RCP trabalha em conjunto com as Secretarias Municipais de Saúde para acompanhar a situação, oferecer suporte técnico e capacitar profissionais de saúde sobre doenças de notificação compulsória, incluindo o sarampo. Entre as principais ações estão a investigação de casos suspeitos, o rastreamento de contatos e a ampliação da cobertura vacinal.
Monitoramento e busca ativa de casos
Desde fevereiro, os profissionais de saúde do Amazonas receberam treinamento para aprimorar a identificação precoce do sarampo. A orientação é ficar atento a pacientes que apresentem manchas vermelhas na pele e febre, associadas a sintomas como tosse, conjuntivite ou coriza.
Somente neste ano sete casos suspeitos foram notificados no Amazona, no entanto, todos foram descartados pelo Laboratório Central de Saúde Pública do Amazonas (Lacen-AM).

“Cada caso suspeito passa por um protocolo rigoroso de investigação, incluindo entrevista, coleta de amostras, bloqueio vacinal e monitoramento de contatos”, explicou Lilian Furtado, gerente de Doenças Transmissíveis do Departamento de Vigilância Epidemiológica (DVE).
Cobertura vacinal e estratégias de imunização
A vacinação é a principal ferramenta de prevenção contra o sarampo. No Amazonas, a cobertura vacinal atingiu 98% em 2024, mas a FVS-RCP reforça a necessidade de manter o cartão de vacinação atualizado.
A imunização é oferecida gratuitamente para bebês a partir de 12 meses, com reforço aos 15 meses, além de crianças e adultos de 5 a 59 anos. Profissionais da saúde e crianças de 6 a 11 meses também podem ser vacinados em situações de risco.
Casos registrados no Rio de Janeiro
O estado do Rio de Janeiro vem sendo acompanhado de perto pelo Ministério da Saúde, que reforçou vacinação contra o sarampo em municípios que apresentam risco de transmissão da doença. A medida foi tomada após a confirmação de dois casos em crianças em São João de Meriti, na Baixada Fluminense, e um terceiro caso em uma mulher adulta no Distrito Federal. Apesar disso, o governo federal considera os registros como casos isolados.
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De acordo com Eder Gatti, diretor do Departamento Nacional de Imunização do Ministério da Saúde, a partir de 7 de abril será realizado um grande chamamento da população para atualização da caderneta de vacinação. O Estado do Rio de Janeiro receberá um aumento no abastecimento de doses, e pessoas de 6 meses a 59 anos serão orientadas a verificar se estão com a imunização em dia.
Preocupação com áreas de fronteira e eventos internacionais
A pasta também monitora outras regiões estratégicas do país, como Oiapoque, no Amapá, devido à alta circulação de pessoas na fronteira. Além disso, Belém, que sediará a COP 30, recebeu ações específicas de vacinação contra sarampo e febre amarela.
Uma mudança importante na imunização foi anunciada para os municípios em alerta. Atualmente, a vacina Tríplice Viral — que protege contra sarampo, caxumba e rubéola — é aplicada pelo SUS com a primeira dose aos 12 meses de idade e a segunda aos 15 meses. Com o risco de reintrodução da doença, será adotada a “dose zero”, antecipando a vacinação para crianças entre 6 meses e 1 ano.
Risco global de disseminação
O aumento de casos de sarampo em outros países tem preocupado autoridades sanitárias. Segundo um relatório da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), divulgado em 24 de março, 507 casos já foram confirmados no continente em 2025, superando os registros de todo o ano anterior. Os países mais afetados são os Estados Unidos (301 casos, com duas mortes), Canadá (173), México (22) e Argentina (11). A Opas classifica o risco de disseminação da doença como alto.
O Brasil enfrentou um grande surto de sarampo em 2017, impulsionado pela migração de cidadãos venezuelanos, onde a doença estava em alta. O surto se espalhou para estados próximos à fronteira e, posteriormente, para outras regiões do país.
Por enquanto, os três casos confirmados no Brasil em 2025 não ameaçam a certificação de país livre do sarampo, reconquistada no ano passado. Essa certificação pode ser perdida se houver transmissão sustentada do vírus por um ano.
“O Brasil perdeu a certificação entre 2018 e 2022, mas conseguimos recuperá-la no ano passado com esforços de vigilância e intensificação da vacinação. O desafio agora é manter o país livre da doença, pois o sarampo é uma preocupação global de saúde pública”, destacou Eder Gatti.
Casos suspeitos de sarampo devem ser notificados imediatamente às autoridades de saúde. Quando há confirmação, um protocolo rígido é seguido, incluindo a identificação e o monitoramento de contatos do paciente e o bloqueio vacinal nos locais frequentados por ele, como escolas e ambientes de trabalho.