
Entre leis de proteção à mulher e viagens de luxo, mandato de Alessandra Campelo gera debates sobre prioridades e coerência política
Com forte atuação na defesa dos direitos das mulheres, a deputada estadual Alessandra Campelo (Podemos) se consolidou como uma das parlamentares mais atuantes da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam). Reconhecida por propor projetos significativos no combate à violência de gênero, Campelo também se viu envolvida em polêmicas que colocaram seu mandato sob avaliação da população e de seus eleitores.
Entre os principais projetos aprovados durante seu mandato, destacam-se leis voltadas à proteção da mulher, essas leis tiveram embasamento dos PLS abaixo.
- Lei nº 6.189/2023: garante atendimento especializado a crianças órfãs de feminicídio.
- Lei nº 7.260/2024: torna obrigatória a tornozeleira eletrônica para agressores com medida protetiva.
- Lei do “Não se Cale, Mana”: obriga estabelecimentos a adotarem protocolos de acolhimento para mulheres em situação de violência.
- Observatório da Violência Contra a Mulher: ferramenta pioneira no estado para coleta e divulgação de dados sobre crimes de gênero.
Além disso, Campelo propôs o programa “Crédito Rosa”, voltado a microcrédito para mulheres empreendedoras, e o anteprojeto Passe Livre Gestante, que garante transporte público gratuito para grávidas atendidas pela rede pública.
Sua atuação como Procuradora Especial da Mulher na Aleam também fortaleceu campanhas de prevenção à violência, como a “Deixa de Enxerimento”, realizada durante o Festival de Parintins.
Propostas que ainda aguardam efetividade
Apesar de várias leis aprovadas, parte de suas propostas ainda não saiu do papel. Projetos como o Auxílio Creche, o Ônibus Rosa e a Ronda Maria da Penha foram apenas indicados ao Executivo municipal, sem execução concreta até o momento. Essas limitações levaram críticas ao que opositores chamam de “mandato mais simbólico do que prático” em alguns setores.
Projetos simbólicos geram críticas: deputada também é autora de leis que criam datas comemorativas e semanas temáticas sem impacto direto na vida da população
Entre os projetos considerados de menor relevância, Alessandra Campelo também apresentou propostas que apenas instituem datas e campanhas no calendário oficial, sem medidas estruturais associadas:
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Lei nº 5.358/2020 – “Junho Violeta”, mês de conscientização sobre violência contra idosos.
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Lei nº 5.641/2021 – “Fevereiro Laranja”, para diagnóstico precoce da leucemia.
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Lei nº 5.726/2021 – “Dia das Prerrogativas da Advocacia”.
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Lei nº 5.886/2022 – Semana “Detox Digital Amazonas”, para alertar sobre o uso excessivo de tecnologia.
Embora essas datas tenham valor simbólico, geram críticas por parte de eleitores e especialistas por não resultarem em políticas públicas efetivas. Uma reportagem da Gazeta da Amazônia, em junho de 2023, apontou que mais de 50 propostas semelhantes tramitavam na Aleam, enquanto problemas estruturais, como falta de creches, saúde e transporte, seguiam sem solução.
Controvérsias e desgaste público
O mandato de Alessandra Campelo também foi marcado por episódios polêmicos, que levantaram questionamentos sobre sua postura política:
- Confronto com sindicato: Em abril de 2024, Campelo impediu que o presidente do Sindicato dos Policiais Civis (Sinpol-AM) falasse na tribuna da Aleam. A atitude foi considerada autoritária por representantes das forças de segurança, gerando nota de repúdio e críticas de cerceamento à liberdade de expressão.
- Silêncio seletivo: Em 2025, após se posicionar publicamente contra o agressor da produtora Kaline Milena, Campelo foi cobrada por não se manifestar diante de denúncias contra o presidente da Aleam, Roberto Cidade — seu aliado político. O silêncio foi visto como seletividade em sua defesa dos direitos das mulheres.
- Viagem de luxo à Grécia: Durante o recesso parlamentar, a deputada apareceu em imagens compartilhadas nas redes sociais em um restaurante na Grécia, onde consumia carne folheada a ouro. A viagem, feita em companhia de familiares do presidente da Aleam e servidores comissionados, gerou forte repercussão negativa, sendo interpretada como ostentação incompatível com o cenário de crise social no estado.
- Vazamento de print: Em maio de 2025, um suposto print revelou um pedido feito por Campelo ao governador Wilson Lima para manter uma aliada em cargo público na UEA. O episódio levantou suspeitas de favorecimento político e uso da máquina estatal para fins eleitorais.
Discurso combativo, imagem fragilizada
Apesar das controvérsias, Alessandra Campelo mantém postura firme em temas sociais e se posiciona ativamente contra projetos federais que considera prejudiciais às mulheres — como o PL 1904/2024, que propõe criminalizar o aborto mesmo em casos de estupro. Ela também denunciou o crescimento de gravidez infantil no Amazonas, classificando o dado como “epidemia silenciosa”.
No entanto, a combinação entre avanços legislativos e escândalos pontuais tem impactado sua imagem pública. Embora siga com apoio entre grupos feministas e sociais, enfrenta críticas por aparentes incoerências entre discurso e prática política.
Liderança partidária e projeção política
Além de sua atuação parlamentar, Alessandra Campelo também assumiu, em 2023, a presidência estadual do Podemos no Amazonas, após convite da executiva nacional da sigla. A nomeação fortaleceu sua posição dentro do cenário político regional, ampliando sua influência nas articulações partidárias e na formação de chapas para as eleições municipais de 2024 e estaduais de 2026. A deputada, que se filiou ao partido em agosto de 2023 após sua saída do PSC, passou a ocupar um papel estratégico dentro da legenda, consolidando-se não apenas como parlamentar de destaque, mas também como liderança política com ambições de maior projeção no estado. Esse novo posto também impõe a ela a responsabilidade de equilibrar a agenda legislativa com as demandas de articulação política e gestão partidária — em um momento em que sua imagem enfrenta tanto reconhecimento público quanto críticas intensas.
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