
Após autorizar Lei da Reciprocidade contra EUA, Lula dispara: “Não adotamos complexo de vira-lata”
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a falar sobre as relações entre o Brasil e os Estados Unidos após dar sinal verde para que o Itamaraty acione a Câmara de Comércio Exterior (Camex) na análise da adoção da chamada Lei da Reciprocidade Econômica contra Washington. A medida surge como resposta às tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, impostas pelo presidente norte-americano Donald Trump no início de agosto.
A declaração foi dada durante uma entrevista do presidente à rádio Itatiaia de Mina Gerais, nesta sexta-feira (29/8).
Durante pronunciamento, Lula destacou que o Brasil não abrirá mão de sua soberania e que mantém disposição para o diálogo, mas sem aceitar submissão nas relações diplomáticas.
“Eu já fui à Casa Branca com o Bush, com o Obama, com o Biden, eu não tenho problema com o Trump. O Trump é um problema do povo americano, que elegeu ele. Ele é o presidente, então, se eu respeito ele como resultado de uma eleição americana, quero que ele respeite o Brasil com a sua soberania. O Brasil é dono do seu nariz”, afirmou o presidente.
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— Rede Onda Digital (@redeondadigital) August 29, 2025
Lula reforçou que o país está pronto para manter conversas em igualdade de condições:
“A hora que ele quiser conversar, nós estamos prontos para conversar, sempre foi assim. O Brasil não recusa a conversar, o que ele faz é não se submeter, nós não adotamos aquele negócio da complexidade do vira-lata, nós somos iguais. Nós não queremos conversar com ninguém de forma subalterna.”
O presidente também ressaltou que a postura brasileira é uniforme nas relações internacionais:
“Eu não sou daqueles que fala grosso com a Bolívia e falo fino com os EUA. Eu falo igual com a Bolívia, com os EUA, com a China, com a Rússia, porque dignidade não se compra em shopping, caráter não se compra em shopping.”
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Lei da Reciprocidade
A Lei da Reciprocidade Econômica, sancionada em julho, autoriza o Brasil a adotar medidas de retaliação de forma proporcional contra países que comprometam a competitividade internacional do país. Isso pode incluir suspensão de concessões comerciais e diplomáticas, restrições a empresas estrangeiras e ajustes em vistos e investimentos.
A Camex terá 30 dias para elaborar um parecer técnico. Caso o documento confirme viabilidade jurídica, será formado um grupo de trabalho para definir as medidas de retaliação, que poderão atingir o comércio de bens, serviços e até questões relacionadas à propriedade intelectual.
Paralelamente, o Itamaraty já iniciou uma análise preliminar e notificará oficialmente o governo dos Estados Unidos nesta sexta-feira (29/8), abrindo espaço para que Washington apresente sua posição antes de um eventual confronto comercial.
