A ex-ministra da Saúde, Nísia Trindade, fez seu primeiro pronunciamento após ser demitida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na última terça-feira (25). Em suas redes sociais, na noite desta quarta-feira (26), Nísia destacou que sua gestão foi marcada pela reconstrução do Ministério da Saúde, que, segundo ela, estava “desmontado e desacreditado” quando assumiu o comando em janeiro de 2023. Apesar das dificuldades, afirmou ter deixado “frutos que amadurecem”.
“Reconstruímos porque avançamos. Encontrei o Ministério da Saúde desmontado e desacreditado em janeiro de 2023. Ele perdera sua autoridade de coordenar o SUS após a terrível experiência das 700 mil mortes por Covid-19 na pandemia”, afirmou Nísia Trindade.
Em sua declaração, a ex-ministra ressaltou os avanços obtidos ao longo de sua gestão, mencionando a ampliação de programas essenciais, como Mais Médicos, Farmácia Popular, Samu, SUS Digital, Saúde da Família e o Programa de Redução de Filas. Nísia também apontou que encontrou o Ministério da Saúde em situação crítica, herdando mais de 4,5 mil Unidades Básicas de Saúde (UBS) aguardando credenciamento, além de 4 mil obras paralisadas e leitos de UTI não cadastrados.
Em outra parte do texto, Nísia Trindade abordou o investimento em saúde pública, com “recorde histórico de cirurgias no SUS”, totalizando 14 milhões, e a reestruturação dos hospitais federais.
“Os frutos da saúde amadurecem com o tempo e a consistência”, afirmou.
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Mudança na Saúde e reforma ministerial
A saída de Nísia Trindade faz parte da reforma ministerial promovida por Lula. A Pasta será assumida por Alexandre Padilha, que deixa a Secretaria de Relações Institucionais (SRI). A posse do novo ministro está marcada para o dia 6 de março.
Essa movimentação ministerial vem sendo discutida por aliados do governo nas últimas semanas e marca uma nova fase da gestão Lula. Em janeiro, o presidente já havia feito mudanças na Secretaria de Comunicação Social (Secom).
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Agradecimento de Nísia
Em seu pronunciamento, Nísia agradeceu as manifestações de apoio e reconheceu o trabalho de sua equipe no Ministério da Saúde. Também expressou gratidão ao presidente Lula pela oportunidade de contribuir para o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS).
“Certamente, o ministro Alexandre Padilha saberá dar continuidade e aprimorar esse trabalho com a competência que já demonstrou, renovando o plantio. Agradeço às muitas manifestações de apoio de tantas pessoas que, em suas áreas, se dedicam a construir um país melhor”, disse Nisia Trindade.
“Agradeço ao presidente Lula pela oportunidade e à equipe do Ministério da Saúde pelo trabalho incansável. Reconstruímos porque avançamos, mesmo diante de imensos desafios […] Saio com a certeza de dever cumprido, como alguém que se dedicou e estudou o Brasil e suas desigualdades”, finalizou.
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Leia o pronunciamento completo:
Reconstruímos porque avançamos. Encontrei o Ministério da Saúde desmontado e desacreditado em janeiro de 2023. Ele perdera sua autoridade de coordenar o SUS após a terrível experiência das 700 mil mortes por Covid-19 na pandemia.
Durante nosso trabalho de reconstrução da pasta, encontramos mais de 4,5 mil UBS instaladas que aguardavam o credenciamento havia quatro anos, mais de 4 mil obras paralisadas, inúmeros leitos de UTI não cadastrados, entre tantas outras mazelas deixadas pela gestão passada.
A tarefa de reconstrução do SUS envolveu avanços e inovação. Assim, mais que dobramos o Mais Médicos com novos incentivos, ampliamos o Farmácia Popular, investimos no Samu para cobrir 100% do país até 2026, incluindo helicópteros — algo que se mostrou providencial na catástrofe no Rio Grande do Sul —, reestabelecemos o cuidado do Governo Federal com a saúde indígena e estruturamos o Mais Acesso a Especialistas, integrando SUS Digital, Saúde da Família e Programa de Redução de Filas, entre outros avanços fundamentais.
Na vacinação, revertemos a tendência de queda dos oito anos anteriores, ampliando a cobertura de 15 das 16 vacinas infantis, reconquistamos o certificado de país livre do sarampo e retiramos o Brasil da vergonhosa lista de países que menos vacinam suas crianças.
Em 2025, reduzimos em mais de 60% o número de casos de dengue em comparação ao mesmo período do ano passado. Deixamos frutos que amadurecem: só nestes primeiros meses do ano, anunciamos o recorde histórico de cirurgias no SUS — 14 milhões — , a parceria com o Instituto Butantan para a vacina nacional contra a dengue, o Farmácia Popular 100% gratuito, a reestruturação dos hospitais federais, o investimento recorde em laboratórios públicos e a incorporação e produção da vacina contra a bronquiolite, uma das principais causas de infecções respiratórias graves, que irá proteger cerca de 2 milhões de bebês em seus primeiros meses de vida. Os frutos da saúde amadurecem com o tempo e a consistência.
Certamente, o ministro Alexandre Padilha saberá dar continuidade e aprimorar esse trabalho com a competência que já demonstrou, renovando o plantio. Agradeço às muitas manifestações de apoio de tantas pessoas que, em suas áreas, se dedicam a construir um país melhor.
Agradeço ao presidente Lula pela oportunidade e à equipe do Ministério da Saúde pelo trabalho incansável. Reconstruímos porque avançamos, mesmo diante de imensos desafios.
Saio com a certeza de dever cumprido, como alguém que se dedicou e estudou o Brasil e suas desigualdades, e enfrentou tantos desafios, desde a Presidência da Fiocruz, em uma oportunidade única de servir ao meu país e contribuir com a saúde da população e o fortalecimento do SUS.