O ex-presidente Jair Bolsonaro fez, nesta quarta-feira (26/03), seu primeiro pronunciamento à imprensa após se tornar réu pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A declaração ocorre após a decisão da Primeira Turma do STF, que aceitou a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra ele e mais sete acusados de envolvimento em uma tentativa de golpe de Estado.
Durante a entrevista, o ex-presidente negou qualquer culpa e afirmou que sua saída para os Estados Unidos antes do 8 de janeiro foi uma estratégia para evitar uma possível prisão.
“Se eu estivesse devendo qualquer coisa, não estaria aqui. Fui para os Estados Unidos, graças a Deus, porque se tivesse aqui no 8 de janeiro, estaria preso até hoje… ou morto, que é o sonho de alguns aí. Eu preso vou dar trabalho”, declarou Bolsonaro.
Agora, Bolsonaro e os demais réus terão que prestar depoimentos, apresentar suas defesas e aguardar a coleta de novas provas antes do julgamento final. O STF decidirá se os acusados serão condenados ou absolvidos.
Saiba mais:
- Em meio a julgamento no STF, Bolsonaro posta vídeo insinuando que 8/1 foi “negócio programado”
- No Japão, Janja usa tênis que custa mais de R$ 2 mil no Brasil e repercute nas redes
Inelegibilidade até 2030
Bolsonaro também comentou sobre sua inelegibilidade e criticou a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que o tornou inelegível até 2030 por abuso de poder político.
“Eu não quero conflito, confronto, quero o bem-estar do meu povo. Não tenho obsessão pelo poder, tenho paixão pelo Brasil. Quando alguém fala que estou inelegível, ‘por que estou inelegível?’ Por que me reuni com embaixadores?”, questionou Bolsonaro.
O TSE condenou o ex-presidente por abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação devido à reunião realizada com embaixadores em julho de 2022, na qual ele atacou o sistema eleitoral sem apresentar provas. Como resultado, Bolsonaro está impedido de disputar eleições até 2030.

Bolsonaro se torna réu
A Primeira Turma do STF, composta pelos ministros Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Luiz Fux, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin, aceitou por unanimidade a denúncia contra Bolsonaro e seus aliados. Os acusados responderão a uma ação penal por crimes como organização criminosa armada, tentativa de golpe de Estado, tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito, dano qualificado por violência e grave ameaça contra o patrimônio da União e deterioração de patrimônio tombado.

Entre os réus estão nomes de peso do antigo governo Bolsonaro, como Alexandre Ramagem, ex-diretor da Abin e atual deputado federal, Almir Garnier, ex-comandante da Marinha, Anderson Torres, ex-ministro da Justiça, Augusto Heleno, ex-ministro do GSI, Mauro Cid, ex-ajudante de ordens, Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa, e Walter Braga Netto, ex-ministro da Casa Civil.
A PGR aponta Bolsonaro como líder da suposta organização criminosa, que teria começado a articular um golpe de Estado em 2021, ao levantar dúvidas sobre a segurança das urnas eletrônicas.