Eleitorado indígena do Amazonas cresce e chega a 73,7 mil votantes

O eleitorado indígena do Amazonas soma 73.580 pessoas aptas a votar nas eleições de outubro de 2026, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) divulgados nesta segunda-feira (20). O número representa um aumento de 36.221 eleitores e eleitoras indígenas, ou 83,5%, na comparação com 2024, quando o segmento somava 37.359 pessoas.
O crescimento no cadastramento levou o Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM) a expandir locais de votação em áreas remotas e a intensificar o atendimento itinerante em regiões mais distantes do estado.
Atualmente, o Amazonas tem 2,8 milhões de eleitores aptos ao voto no total. O eleitorado indígena corresponde, portanto, a 2,6% desse total, proporção considerada baixa diante do peso demográfico do grupo. Segundo o Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE/2022), os indígenas representam 12,46% da população amazonense.
A região Norte concentra a maior parcela do eleitorado indígena do país, com cerca de 47% do total. O número de registros na região passou de 74.506, em 2024, para 136.978, em 2026, aumento de 62.472 pessoas.
Etnias com mais eleitores
Entre os povos indígenas com maior número de eleitores no Amazonas, os Tikúna aparecem em primeiro lugar, com 18.905 eleitores, equivalente a 25,63% do eleitorado indígena do estado. Em seguida estão os Kokama, com 12.425 eleitores, ou 16,84% do total.
Levantamento referente às eleições de 2024 já apontava a predominância dessas duas etnias no estado, quando o Amazonas tinha 138 etnias indígenas aptas a votar. Na ocasião, os Tikúna somavam 9.234 eleitores e os Kokama, 6.189, seguidos por Baré, com 2.637, Múra, com 2.474, Sateré-Mawé, com 1.950, Apurinã, com 1.925, Yanomámi, com 1.590, Kambéba, com 1.433, Mundurukú, com 990, e Tukano, com 899.
Concentração em municípios do interior
A presença indígena no eleitorado varia de forma significativa entre os municípios do Amazonas. Em São Gabriel da Cachoeira, 91,5% do eleitorado é indígena. Em São Paulo de Olivença, a proporção é de 81,2%, e em Santa Isabel do Rio Negro, de 79,3%, segundo dados do TSE.
Esses municípios, localizados em regiões de fronteira e de difícil acesso, concentram parte relevante do desafio logístico enfrentado pela Justiça Eleitoral para viabilizar o voto em comunidades indígenas, o que motivou a ampliação de locais de votação e o reforço do atendimento itinerante por parte do TRE-AM.





