Padilha diz que pobreza triplica risco de vício em apostas

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou nesta sexta-feira (25/9) que pessoas de menor renda têm risco três vezes maior de desenvolver dependência em apostas on-line. A declaração ocorreu durante o anúncio das medidas do Governo Federal para proibir o funcionamento das casas de apostas esportivas, as bets, no Brasil.
Segundo o ministro, os jogos on-line se tornaram um problema de saúde pública, com consequências financeiras, emocionais e familiares. “As pessoas não só perdem o dinheiro, elas perdem o controle sobre a sua própria vida”, declarou Padilha.
Dados apresentados durante o anúncio mostram que mais de 1,3 milhão de brasileiros já recorreram à plataforma centralizada de autoexclusão, ferramenta que permite bloquear voluntariamente o próprio CPF nas empresas de apostas autorizadas. O mecanismo também impede o envio de publicidade direcionada ao usuário.
De acordo com Padilha, 35% das pessoas que solicitaram o bloqueio declararam ter perdido o controle sobre as apostas, enquanto 51% relacionaram a decisão a problemas de saúde. O ministro informou ainda que cerca de 170 mil usuários acessaram o Meu SUS Digital para realizar um autoteste e buscar atendimento relacionado aos efeitos da dependência.
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Mulheres concentram procura por atendimento
Embora os homens sejam maioria entre os apostadores, mais de 60% das pessoas que procuram o teleatendimento oferecido pelo SUS são mulheres, segundo Padilha. Parte delas busca ajuda por causa de problemas enfrentados por filhos, maridos ou outros familiares envolvidos com apostas.
O ministro destacou que o impacto das bets também alcança mulheres que não apostam, principalmente por causa do comprometimento da renda familiar, dos conflitos domésticos e dos problemas de saúde mental. Pesquisa divulgada pelo Ministério das Mulheres aponta que 54% das brasileiras já foram afetadas, direta ou indiretamente, pelas apostas on-line.
Padilha afirmou que o SUS continuará prestando assistência às pessoas afetadas pelo jogo problemático mesmo após a interrupção das atividades das bets. Segundo o ministro, a rede pública passou a oferecer até 100 mil teleatendimentos mensais, com acompanhamento de psicólogos e psiquiatras.





