Triplo homicídio no São Jorge: ex-genro matou vítimas a marteladas, diz polícia

O homem preso pelo triplo homicídio no bairro São Jorge, zona Centro-Sul de Manaus, na manhã de segunda-feira (17), é o ex-genro de uma das vítimas. A informação foi confirmada pela Polícia Civil do Amazonas em coletiva de imprensa realizada nesta terça-feira (18).
O autor confessou ter cometido os crimes com golpes de martelo na cabeça das vítimas. Segundo o delegado Ricardo Cunha, titular da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), a motivação foi patrimonial: ele devia R$ 19 mil a mais de seis agiotas e foi à casa do ex-sogro pedir dinheiro.
Francisco tinha 81 anos e, segundo o delegado-geral Bruno Fraga, era pastor de uma igreja e ajudava financeiramente o neto, filho do autor, que tem autismo. Foi por isso que o suspeito procurou o ex-sogro naquela madrugada.
Houve uma discussão e o autor, que já portava um martelo em uma bolsa transversal, desferiu vários golpes na cabeça do idoso. A filha dele, Isabella, acordou com os gritos, foi ao local e também foi golpeada. Em seguida, o morador do primeiro andar, o professor universitário Guilherme, ouviu a confusão e entrou em luta corporal com o autor, mas não resistiu.
Por fim, a dona da residência, Dilma, moradora do térreo, subiu ao segundo andar ao ouvir os barulhos e também foi atingida. Ela foi socorrida e levada ao Hospital João Lúcio, onde permanece em estado grave.
Como a polícia identificou o suspeito
Imagens de câmeras de segurança de estabelecimentos comerciais próximos mostraram um homem chegando de moto por volta das 5h30, estacionando do outro lado da rua, pulando o muro da residência e saindo, cerca de duas horas e meia depois, carregando objetos do local.
A partir dessas imagens, investigadores descartaram hipóteses como rituais ou ação de facção criminosa e concluíram que o crime foi praticado por uma única pessoa. Ao entrevistar pessoas próximas da família, a polícia encontrou alguém com físico semelhante ao das imagens, moto e capacete parecidos, e a mesma bolsa transversal usada no crime. Confrontado, o suspeito confessou a autoria.
Segundo o delegado Ricardo Cunha, o autor colocou uma máscara de proteção e deixou o imóvel com um cofre de cerca de R$ 900 e três celulares das vítimas. Em seguida, descartou o martelo e dois dos celulares em um igarapé próximo à residência, com medo de ser rastreado; apenas um aparelho foi recuperado.
Depois, foi pagar parte da dívida ao agiota e retornou para casa, que fica nas proximidades do local do crime. Por isso não fugiu da cidade: segundo ele, o objetivo era quitar a dívida, e sua residência é vizinha à da família de Francisco.
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O delegado-geral Bruno Fraga destacou a rapidez da investigação e agradeceu à Polícia Militar pelo apoio no isolamento do local do crime, que evitou contaminação de provas. O comandante-geral da Polícia Militar do Amazonas (PMAM), coronel Klinger Paiva, afirmou que equipes da corporação atuaram desde o primeiro deslocamento até o reforço para conter a aglomeração de pessoas no local.
O crime ocorreu na madrugada de segunda-feira, e o autor foi preso no início da noite do mesmo dia, por volta das 18h.
Valor ínfimo e alegação de legítima defesa
Apesar da dívida de R$ 19 mil, a polícia encontrou apenas R$ 256 dentro da casa, valor considerado ínfimo diante da brutalidade do crime. Conforme a polícia, o autor se recusou a identificar os agiotas aos quais devia, alegando não se lembrar, mas afirmou que eram mais de seis; caso a investigação apure crimes ligados a eles, o caso será encaminhado à delegacia competente.
“Nenhum valor justifica tirar a vida de qualquer ser humano”, afirmou o delegado-geral Bruno Fraga. Segundo Ricardo Cunha, o autor agiu com extrema frieza e não demonstrou arrependimento ao confessar. Ele alegou legítima defesa, mas a versão não convenceu os investigadores. O autor foi autuado por latrocínio consumado, três vezes, e por tentativa de latrocínio contra Dilma. Ele não tinha passagens pela polícia.
O caso segue sob investigação da DEHS, enquanto Dilma permanece internada em estado grave.





