Agora todo mundo tem uma ‘tropa’ para chamar de sua

A militarização da política brasileira ganhou uma nova dimensão nas eleições deste ano. Além da presença de candidatos das Forças Armadas e das Forças de Segurança, o processo eleitoral no Amazonas mostra que a linguagem militar também passou a ser incorporada por candidatos civis. Entre os termos que ganharam espaço está “tropa”, expressão que deixou de aparecer apenas entre candidatos ligados ao ambiente militar e passou a funcionar como uma espécie de marca eleitoral.
Tropa é o conjunto de militares organizados para cumprir uma missão sob determinado comando. É nesse sentido que a candidata ao governo do Estado, Professora Maria do Carmo (PL), emprega a expressão “tropa da mudança”. O termo ganhou espaço na pré-campanha a partir das andanças da candidata por bairros de Manaus e municípios do interior ao lado de políticos ligados à área de segurança, como os vereadores Coronel Rosses, Capitão Carpê, Sargento Salazar e o militar aposentado Kidson Maia.
O que começou associado a esse grupo passou a ser incorporado ao discurso eleitoral por candidatos sem origem nas Forças de Segurança. É justamente nesse ponto que o uso da palavra ganha outro significado na campanha.
Um exemplo está na campanha da médica Fernanda Aryel Almeida (Avante), filha do ex-prefeito David Almeida (Avante), adversário político de Maria do Carmo na disputa pelo Palácio da Compensa.
Sem uma trajetória ligada às Forças Armadas ou à Segurança Pública, Aryel também adotou o termo como forma de convocar seus apoiadores, especialmente os jovens. Os primeiros vídeos dela nas redes sociais trazem uma convocação para a “Tropa da Aryel”. “Quem cuida da gente chegou! É a tropa da Aryel”, diz o jingle utilizado na campanha.
O uso da expressão por uma candidata civil mostra que a linguagem militar começa a ultrapassar o grupo de candidatos que tem ligação direta com as forças de segurança.
O mesmo movimento aparece na campanha de Alfredo Nascimento (PL), que tem origem militar, foi cabo da Força Aérea, mas não costumava recorrer a esse tipo de expressão nas campanhas anteriores. Desta vez, ao promover um adesivaço para marcar o início da campanha, apresentou o jingle “Tropa do Alfredão”.
Entre os candidatos oriundos das Forças de Segurança, o termo também funciona como uma forma de reforçar vínculos com os “colegas” e associar a candidatura à ideia de liderança. É o caso do candidato ao Senado, Capitão Alberto Neto (PL), e do candidato a deputado federal Sargento Salazar (PL).
Salazar, que viralizou em um vídeo no qual pede votos para si e também para o sócio Kidson Maia (PL), candidato a deputado estadual, chegou a sugerir a formação de uma “tropa dos doidos” para fiscalizar o Poder Executivo nacional e estadual.
No fim, a “tropa” parece cumprir uma função simples na campanha: transformar o eleitor em parte do grupo. Não é apenas alguém que recebe um pedido de voto, mas alguém que é chamado a fazer parte de uma força que tem um objetivo e um comando.





