Adail Pinheiro é afastado da Prefeitura de Coari em operação da PF; Adail Filho também é investigado

A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira (16/9) a Operação Dinastia do Lago, que apura suposta organização criminosa em fraudes licitatórias, desvio de recursos públicos, corrupção e lavagem de dinheiro relacionados à Prefeitura de Coari, no Amazonas. Por determinação do Supremo Tribunal Federal, o prefeito Adail Pinheiro (Republicanos) e secretários municipais foram afastados dos cargos e são alvos de mandados de busca e apreensão.
O deputado federal Adail Filho, filho do prefeito, também é alvo da operação. Carros de luxo foram apreendidos na residência dele.
Mandados em Manaus e Coari
A ação é realizada em endereços localizados em Manaus e Coari. Ao todo, são cumpridos 28 mandados de busca e apreensão, além de 12 medidas cautelares determinadas pela Justiça. Em Manaus, os agentes federais estiveram no condomínio Renaissance, de casas de luxo. Em imagens divulgadas pela PF, foram apreendidos dinheiro em espécie, relógios e joias.
A investigação apura uma possível atuação coordenada entre empresários, agentes públicos e terceiros, com indícios de direcionamento de licitações, desvio de recursos públicos e movimentações financeiras para pagamento de vantagens indevidas e para ocultação da origem e dos destinatários finais dos valores.
Os fatos investigados podem caracterizar, em tese, os crimes de organização criminosa, fraude à licitação, corrupção, peculato e lavagem de dinheiro.
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Origem da investigação
As investigações tiveram início após a apreensão de aproximadamente R$ 1,25 milhão em espécie, em maio de 2025, no Aeroporto Internacional de Brasília. Na ocasião, três empresários do Amazonas foram encontrados com o dinheiro em um voo entre Manaus e Brasília.
A partir do episódio, os investigadores passaram a analisar documentos, movimentações financeiras e dispositivos eletrônicos, o que levou à identificação do suposto esquema.
A operação desta quarta-feira é um desdobramento dessas apurações e busca identificar a origem e o destino dos recursos movimentados de forma irregular.
Procurados pela reportagem, nem o prefeito de Coari e nem o deputado federal se pronunciaram até a publicação desta matéria.
Despacho do STF antecedeu a operação
Um despacho do ministro Alexandre de Moraes, relator da Petição 15.889 no Supremo Tribunal Federal, é anterior à operação desta quarta-feira (16) e explica a base jurídica que embasou as investigações contra o prefeito e o deputado. O documento é datado de 22 de abril de 2026.
No despacho, Moraes reconheceu a competência do STF para apurar o caso, em razão do envolvimento do deputado federal Adail Filho, detentor de foro privilegiado. O ministro determinou a instauração de inquérito para investigar corrupção e lavagem de dinheiro por parte de todos os investigados, sem desmembramento do processo.
O documento registra que a análise de dispositivos eletrônicos apreendidos com os três empresários presos em Brasília revelou repasses financeiros, feitos por empresas ligadas a eles, em benefício do deputado Adail Filho e de seu pai, o prefeito de Coari, Manoel Adail Pinheiro. Segundo o despacho, essas empresas mantinham contratos com o município e teriam sido usadas para fraudes em procedimentos licitatórios.
O despacho cita ainda emendas parlamentares de autoria do deputado Adail Filho, destinadas ao município de Coari nos anos de 2024 e 2025, entre as informações levantadas na apuração. Ao final, Moraes determinou o envio dos autos à Polícia Federal, para adoção das providências cabíveis no prazo de 60 dias.
A operação desta quarta-feira é um desdobramento dessas apurações e busca identificar a origem e o destino dos recursos movimentados de forma irregular.





