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Amazonas começa a receber tratamento inédito contra malária para crianças no SUS

Brasil é o primeiro país do mundo a oferecer tafenoquina pediátrica em dose única; medicamento chega a distritos indígenas do estado com alta incidência da doença
05/03/26 às 17:06h
Amazonas começa a receber tratamento inédito contra malária para crianças no SUS

O Amazonas está entre os primeiros estados do país a receber um tratamento inédito contra a malária destinado a crianças no Sistema Único de Saúde (SUS). O Ministério da Saúde iniciou a distribuição da tafenoquina na formulação pediátrica de 50 mg, indicada para crianças com peso entre 10kg e 35kg.

Com a medida, o Brasil se torna o primeiro país do mundo a disponibilizar o medicamento nessa versão para o público infantil. No país, cerca de 50% dos casos de malária atingem crianças e adolescentes.

A entrega do novo medicamento começou nesta semana e ocorre de forma gradual, com prioridade para áreas da Amazônia, onde a doença apresenta maior incidência. Ao todo, serão distribuídos inicialmente 126.120 comprimidos da tafenoquina pediátrica, com investimento de aproximadamente R$ 970 mil.

No Amazonas, a distribuição prioriza distritos sanitários indígenas considerados estratégicos no enfrentamento da doença. Entre eles estão os DSEIs Yanomami, Alto Rio Negro, Manaus, Vale do Javari e Médio Rio Solimões e Afluentes. Esses territórios concentram cerca de metade dos casos de malária em crianças e jovens de até 15 anos.


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O primeiro a receber o medicamento será o DSEI Yanomami, que terá 14.550 comprimidos. O território já havia sido pioneiro em 2024 na adoção da tafenoquina na versão de 150 mg, indicada para pacientes com mais de 16 anos.

A nova apresentação do medicamento traz uma mudança importante no tratamento da doença. A tafenoquina pediátrica é administrada em dose única, o que facilita a adesão ao tratamento, especialmente entre crianças e em áreas de difícil acesso. Antes, o esquema terapêutico exigia medicação por até 14 dias, o que dificultava a conclusão do tratamento.

De acordo com o Ministério da Saúde, a dose única contribui para eliminar completamente o parasita, prevenir recaídas e reduzir a transmissão da malária nas comunidades.

Para garantir a aplicação segura do medicamento, o ministério iniciou oficinas de capacitação para profissionais de saúde. Nesta primeira etapa, cerca de 250 profissionais de distritos sanitários indígenas prioritários serão treinados.

A tafenoquina de 50 mg foi incorporada ao SUS em setembro de 2025, após registro da nova formulação na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O medicamento é indicado para casos de malária causados pelo Plasmodium vivax, responsável por mais de 80% das infecções no país.

A malária permanece como um dos principais desafios de saúde pública na região Amazônica, principalmente em áreas remotas e territórios indígenas. Além do novo tratamento, o Ministério da Saúde tem reforçado ações de diagnóstico rápido, busca ativa de casos e distribuição de mosquiteiros impregnados com inseticida.

Apesar do cenário desafiador na região, o país vem registrando avanços no controle da doença. Em 2025, o Brasil teve o menor número de casos de malária desde 1979, com redução de 15% em relação a 2024 e queda de 16% nas áreas indígenas.

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