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Quebra de sigilos de Lulinha mostra que presidente Lula fez repasses de R$ 721 para filho entre 2022 e 2023

Os documentos apontam que o empresário realizou 1.531 transações financeiras entre janeiro de 2022 e janeiro de 2026, movimentando cerca de R$ 19,5 milhões no período
05/03/26 às 16:44h
Quebra de sigilos de Lulinha mostra que presidente Lula fez repasses de R$ 721 para filho entre 2022 e 2023

(Foto: reprodução)

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga irregularidades no INSS recebeu, na tarde de quarta-feira (5/3), extratos bancários de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Os documentos apontam que o empresário realizou 1.531 transações financeiras entre janeiro de 2022 e janeiro de 2026, movimentando cerca de R$ 19,5 milhões no período.

Segundo os dados analisados pela comissão, o valor inclui créditos e débitos registrados nas contas de Lulinha, além de transferências internas entre contas do próprio investigado. Ao todo, foram R$ 9,77 milhões em entradas e R$ 9,75 milhões em saídas ao longo dos cinco anos avaliados.

Entre as movimentações identificadas estão três transferências feitas pelo presidente Lula ao filho, que somam R$ 721 mil. Os repasses ocorreram em julho de 2022 e dezembro de 2023.

Movimentação financeira por ano

Os extratos indicam os seguintes valores movimentados por Lulinha:

2022: R$ 4,66 milhões

2023: R$ 4,01 milhões

2024: R$ 7,27 milhões

2025: R$ 3,37 milhões

2026: R$ 205,4 mil

De acordo com a documentação, a maior parte dos recursos recebidos pelo empresário teve origem em resgates de fundos de investimento, que totalizaram cerca de R$ 4,4 milhões no período analisado. Também foram registradas transferências de aproximadamente R$ 735,7 mil entre contas próprias.

Empresas das quais Lulinha é sócio com a esposa, Renata de Abreu Moreira, também realizaram repasses para sua conta. Entre elas estão a LLF Tech Participações e a G4 Entretenimento, que juntas transferiram cerca de R$ 3,2 milhões.

Pagamentos e transferências

Do lado das despesas, cerca de R$ 4,6 milhões correspondem a transferências entre contas do próprio empresário.

Os extratos também mostram pagamentos para dois ex-sócios. Entre 2022 e 2025, foram feitas 17 transferências que somam aproximadamente R$ 704 mil para Jonas Leite Suassuna Filho. Já Kalil Bittar recebeu cerca de R$ 750 mil em 15 transações registradas entre 2024 e 2025.

Além disso, os documentos apontam depósitos em cartão pré-pago que totalizam R$ 11,6 mil, realizados entre novembro de 2023 e janeiro de 2024. Outras movimentações incluem pagamento de boletos e transferências de menor valor para pessoas físicas.

Contexto da investigação

A CPMI foi criada para investigar suspeitas de fraudes em benefícios previdenciários e possíveis irregularidades administrativas envolvendo o Instituto Nacional do Seguro Social. O envio dos extratos integra o conjunto de documentos requisitados pelos parlamentares para analisar movimentações financeiras consideradas relevantes para a investigação.

O nome de Lulinha passou a ser citado por parlamentares da oposição após a Polícia Federal apreender mensagens que mencionariam o empresário. As conversas envolvem Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, e a empresária Roberta Luchsinger, apontada como amiga de Lulinha.


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Segundo as investigações, Roberta teria recebido pagamentos de Antunes para atuar em negociações relacionadas à comercialização de produtos à base de cannabis medicinal na área da saúde. A empresária nega irregularidades.

Decisão do STF

Nesta semana, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, suspendeu a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Roberta Luchsinger. A decisão foi tomada após pedido da defesa, que questionou a forma como a CPMI aprovou diversos requerimentos de investigação de forma conjunta.

Ao justificar a medida, Dino afirmou que a aprovação de dezenas de pedidos de quebra de sigilo em votação única pode violar o devido processo constitucional, já que cada medida deveria ter fundamentação individual.

O Supremo esclareceu, no entanto, que a decisão não afeta outros casos aprovados pela comissão, como o acesso aos dados bancários de Lulinha.

Defesa nega irregularidades

Em nota, a defesa de Fábio Luís Lula da Silva afirmou que as informações divulgadas não indicam qualquer relação entre o empresário e as fraudes investigadas pela CPMI.

Os advogados também declararam que as movimentações financeiras têm origem em fontes legais, como rendimentos de investimentos, transferências entre contas próprias, operações de empresas das quais ele participa e valores recebidos por herança.

A defesa ainda afirmou que eventual vazamento de documentos sigilosos à imprensa, caso tenha ocorrido, configura crime e será comunicado às autoridades competentes para investigação.

(*)Com informações do G1

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