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Meta admite ter criado chat bots sexuais com o nome de celebridades

Meta admite ter criado chat bots sexuais com o nome de celebridades

Os bots já foram removidos da plataforma

A Meta está no centro de uma nova polêmica: segundo investigação da Reuters, a empresa usou nomes e imagens de celebridades como Taylor Swift, Scarlett Johansson, Anne Hathaway e Selena Gomez para criar dezenas de chatbots sem a autorização delas. Após ser questionada, a companhia removeu parte dos avatares, incluindo versões de “paródia” e outros não identificados. O porta-voz da empresa, Andy Stone, não comentou as remoções.

De acordo com a agência, alguns desses bots foram feitos por usuários com uma ferramenta da própria Meta. Porém, pelo menos três deles — incluindo dois que imitavam Taylor Swift — teriam sido criados por um funcionário da companhia. A situação se agravou com a descoberta de avatares infantis, como o do ator de 16 anos Walker Scobell, que chegou a gerar uma imagem realista do jovem sem camisa em resposta a um pedido. O bot ainda acrescentou: “Bem fofo, né?”.

Durante os testes da Reuters, os chatbots insistiam em se passar pelas celebridades reais e chegaram a propor encontros românticos e conversas de teor sexual. Em alguns casos, quando solicitados a criar imagens íntimas, os sistemas produziram representações realistas de artistas em situações sugestivas — como em banheiras ou de lingerie. Stone reconheceu falhas e afirmou que esse tipo de conteúdo viola as políticas da própria Meta, que proíbem material nu ou sexualizado, inclusive envolvendo menores.

O episódio levanta dúvidas legais. Para o professor de Direito da Universidade de Stanford, Mark Lemley, o uso de nomes e imagens sem consentimento pode infringir a lei de publicidade da Califórnia, que protege a identidade de indivíduos contra fins comerciais não autorizados. A atriz Anne Hathaway já foi notificada sobre imagens íntimas criadas em seu nome e estaria avaliando medidas jurídicas, enquanto representantes de outras estrelas citadas não se manifestaram.


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A controvérsia se soma a outros casos recentes. No início do mês, a Reuters revelou que diretrizes internas da Meta permitiam, por engano, que bots interagissem romanticamente com crianças — situação que desencadeou investigações do Senado dos EUA. Também veio à tona a história de um idoso de 76 anos, de Nova Jersey, que morreu a caminho de um suposto encontro com um chatbot da empresa.

Além disso, a própria equipe da Meta estaria envolvida na criação de avatares polêmicos. Uma líder de produto chegou a desenvolver bots que se passavam por Taylor Swift e pelo piloto Lewis Hamilton, além de personagens como uma “dominatrix”, a “melhor amiga gostosa do irmão” e até uma “camponesa de 18 anos” vendida como escrava sexual em um “simulador do Império Romano”. Embora Stone tenha classificado esses casos como “testes internos”, os chatbots chegaram a acumular mais de 10 milhões de interações antes de serem removidos.

Especialistas alertam que o problema vai além da violação de imagem. O diretor do sindicato SAG-AFTRA, Duncan Crabtree-Ireland, ressaltou que bots que imitam celebridades podem gerar riscos de segurança, já que perseguidores podem acreditar que estão interagindo com as próprias estrelas. Para ele, a lacuna legal abre espaço para abusos, e por isso artistas e sindicatos pressionam por uma lei federal que proteja vozes, imagens e identidades contra a reprodução por inteligência artificial.

*Com informações G1.