Brasil condena na OEA ação dos EUA contra Venezuela e chama captura de Maduro de “sequestro”

Benoni Belli, embaixador do Brasil na OEA (Foto: Reprodução/OEA).
Nesta terça (6/1), o Brasil voltou a condenar o ataque dos Estados Unidos à Venezuela em reunião da OEA (Organização dos Estados Americanos). O embaixador brasileiro Benoni Belli chamou o ato de “afronta gravíssima à soberania”.
O representante brasileiro discursou no início da tarde de hoje na reunião extraordinária da cúpula do órgão americano. Para o embaixador brasileiro, trata-se de um precedente “extremamente perigoso”, que ameaça a ordem internacional e enfraquece o multilateralismo ao substituir o direito pela força.
Belli declarou:
“O sequestro de seu presidente ultrapassa a linha do aceitável. Uma ameaça à Venezuela com precedente perigoso. Os ataques mostram que a lei do mais forte prevalece. Não podemos aceitar o argumento de que os fins justificam os meios. Dá aos mais fortes o direito de decidir o que é certo e o que é errado e ditar o que devem fazer os mais fracos”.
Ele continuou:
“A ação não só viola a proibição do uso da força, como lembra os piores momentos da história da América Latina e Caribe. O Brasil não quer que a solução passe pela criação de protetorado no país. O continente tem uma história particular de superar conflitos”.
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No último sábado, o presidente americano Donald Trump ordenou um ataque em Caracas que capturou Maduro e sua esposa, Cilia Flores. Ambos seguem detidos nos Estados Unidos e devem ser julgados em Nova York.
Os bombardeios a Caracas e outros três estados foram ouvidos nas primeiras horas da manhã. Maduro e a esposa foram detidos em “questão de segundos” e não tiveram tempo de reagir. Trump disse ao canal norte-americano Fox News que acompanhou a operação de sua mansão em Mar-a-Lago, na Flórida, e que “foi como assistir a um programa de TV”.
OEA
A Organização dos Estados Americanos (OEA) foi fundada em 1948, em Bogotá, na Colômbia, para alcançar nas Américas “uma ordem de paz e de justiça, para promover sua solidariedade, intensificar sua colaboração e defender sua soberania, sua integridade territorial e sua independência”. Atualmente, a OEA reúne 35 Estados independentes das Américas e constitui o principal fórum governamental político, jurídico e social do Hemisfério.
*Com informações de UOL e Metrópoles






