Classificação de facções como terroristas preocupa governo brasileiro

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
O governo dos Estados Unidos deve anunciar nos próximos dias a classificação de facções criminosas brasileiras como organizações terroristas. A medida mira grupos como o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho, mesmo diante da resistência do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A iniciativa faz parte de uma política de segurança mais dura adotada pelo presidente americano Donald Trump, que desde o início de seu novo mandato já incluiu 25 organizações estrangeiras na lista de grupos considerados terroristas. Entre elas estão cartéis latino-americanos, como o Tren de Aragua e organizações ligadas ao narcotráfico na América Latina.
Caso a medida seja confirmada, integrantes dessas facções poderão enfrentar sanções econômicas mais rigorosas, incluindo bloqueio de ativos financeiros no exterior, restrições de vistos e deportações. Além disso, empresas ou pessoas suspeitas de ligação com esses grupos poderão sofrer restrições internacionais, dificultando operações financeiras, compra de equipamentos e até contratação de serviços.
Na ocasião, o governo brasileiro rejeitou a sugestão, sob o argumento de que a Lei Antiterrorismo define terrorismo como atos motivados por razões ideológicas, religiosas ou discriminatórias, o que não se aplicaria às facções, cuja principal motivação é o lucro obtido com atividades ilícitas, como o tráfico de drogas.
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Mesmo com a discordância, o governo brasileiro indicou disposição para ampliar a cooperação internacional em inteligência e combate ao crime organizado.
Especialistas apontam que a classificação pode ter impacto significativo, principalmente sobre o braço financeiro das organizações criminosas que operam fora do Brasil.
Além do impacto na segurança internacional, analistas avaliam que a decisão também pode gerar repercussões políticas no Brasil, especialmente em um cenário de disputas eleitorais e debates sobre políticas de combate ao crime organizado.
Com informações do portal Terra.





