Comprou um carro? Veja quais impostos você terá que pagar depois

(Fotos: Reprodução / Freepik)
Comprar um carro é o sonho de muitos brasileiros, mas a alegria da compra pode vir acompanhada de surpresas nada agradáveis no bolso. Além do valor negociado na loja, uma série de gastos “ocultos” ou indiretos pesa no orçamento e, sem planejamento, pode levar ao endividamento.
À Rede Onda Digital, o economista Alison Rezende explica que o problema começa na própria decisão de compra.
“Os consumidores ignoram os custos indiretos, muitas vezes pela emoção aliada ao desconhecimento. Após a compra, é que se dão conta de tudo o que precisa ser alinhado no pós-venda”, alerta.
Diferente do valor das parcelas ou do preço à vista, esses custos são de difícil mensuração.
“Não existe uma forma de você avaliar quanto vai precisar guardar para poder resolver todos os problemas com os custos indiretos”, completa o economista.
A falta desse planejamento impacta diretamente a renda familiar e pode levar da inadimplência ao bloqueio do nome.

Os principais gastos depois da compra
As despesas podem ser divididas em algumas categorias. As obrigatórias incluem o IPVA (que varia de 1% a 6% do valor do carro, dependendo do estado), o licenciamento anual e o seguro obrigatório (DPVAT). Há também o custo com a transferência do veículo para o novo proprietário, que tem uma média de R$ 419,03 somada ao licenciamento.
O seguro privado, embora essencial, representa um custo anual alto, frequentemente acima de R$ 3.400, variando conforme o perfil do motorista.
Para quem compra um carro usado, é preciso atenção aos “vícios ocultos”: problemas mecânicos, elétricos ou estruturais que não aparecem no momento da compra. A manutenção imediata de itens como óleo, filtros, correia dentada, pneus ou freios, que podem ter sido negligenciados pelo antigo dono, também entra na conta.
No caso de um carro novo, as revisões obrigatórias para manter a garantia de fábrica costumam ser mais caras do que as oficinas independentes. Já os custos de uso diário, como combustível e a depreciação do veículo, que perde valor imediatamente após sair da concessionária, numa média de 10% a 20% ao ano, completam a lista de vilões do orçamento.
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Planejamento é a chave
Alison Rezende orienta que, antes de comprar, o consumidor busque informações.
“Indico fazer uma consulta na internet porque existem planilhas de manutenção de veículo utilizadas para controlar revisões, custos, quilometragem e alertas de manutenção. Vários sites disponibilizam gratuitamente”, sugere.
Para ele, cuidar bem do veículo não é só capricho:
“É segurança, economia e tranquilidade. Troca de óleo atrasada, freio gasto, pneu careca ou correia estourada podem gerar prejuízos e grandes riscos.”
Uma recomendação prática dos especialistas é incluir no planejamento financeiro uma reserva de cerca de 15% a 20% do valor do carro para arcar com as despesas extras do primeiro ano. No caso de carros usados, a realização de uma vistoria cautelar antes da compra é fundamental para identificar problemas ocultos.
IPVA mais barato ajuda, mas é preciso estar atento
No Amazonas, os donos de veículos têm um alívio no orçamento em 2026. A partir deste ano, o estado passou a ter o IPVA médio mais barato do país, graças à redução de 50% nas alíquotas sancionada pelo governador Wilson Lima. A alíquota média no estado ficou em torno de 1,5%.
Com a mudança, carros de até mil cilindradas (1.0) e veículos elétricos ou híbridos passaram a ter alíquota de 1,5%. Aqueles com mais de mil cilindradas pagam 2%. Caminhões, ônibus e micro-ônibus destinados ao transporte público tiveram alíquota reduzida para 1%.
A lei também ampliou o alcance do IPVA Social, que isenta do pagamento os veículos cujo imposto calculado seja de até R$ 420, beneficiando mais de 420 mil pessoas em 2026.
Os descontos podem ser ainda maiores para quem planeja o pagamento. O IPVA pode ser parcelado em até três vezes, com redução de 10% na primeira parcela e 5% na segunda, se pagas com antecedência. O pagamento integral e antecipado garante 10% de desconto.
Além disso, a Lei do Bom Condutor oferece descontos progressivos para quem não tem multas: 10% para um ano sem infrações, 15% para dois anos e 20% para três anos. Esses descontos são cumulativos com os de antecipação, podendo chegar a 30% de redução total. A consulta pode ser feita no site da Sefaz-AM.
Para Alison, o recado é claro: “É preciso verificar qual é o valor do carro para poder calcular o valor do IPVA a ser pago”, além de ser essencial o controle de todas as despesas, visando evitar o impacto direto no orçamento doméstico por falta de planejamento dos custos indiretos.





