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Caso Jeffrey Epstein: poder, dinheiro e uma rede de abusos que chocou o mundo

O caso do financista americano Jeffrey Epstein permanece como um dos maiores escândalos envolvendo abuso sexual
04/03/26 às 22:31h
Caso Jeffrey Epstein: poder, dinheiro e uma rede de abusos que chocou o mundo

(Foto: Montagem/Rede Onda Digital)

O caso do financista americano Jeffrey Epstein permanece como um dos maiores escândalos envolvendo abuso sexual, poder e influência nas últimas décadas. A trajetória do empresário, que saiu de origens humildes para se tornar bilionário e circular entre líderes políticos e celebridades, terminou em um enredo marcado por crimes sexuais, chantagens e uma morte cercada de mistérios.

De professor sem diploma a operador de Wall Street

Jeffrey Epstein não nasceu em berço de ouro. Nos anos 1970, ele trabalhava como professor de física e matemática na Dalton School, uma prestigiada escola privada de Nova York frequentada por filhos de famílias milionárias.

Curiosamente, Epstein não possuía diploma universitário completo. Mesmo assim, era conhecido por sua habilidade de comunicação e persuasão.

(Foto: Lucas Jackson/Reuters)

Foi justamente através de um pai de aluno que surgiu a grande virada de sua vida. O executivo do banco de investimentos Bear Stearns percebeu o talento de Epstein e o convidou para trabalhar no mercado financeiro. Assim, ele saiu diretamente da sala de aula para o ambiente competitivo de Wall Street.

Epstein como professor da Dalton School (Foto: Dalton School)

A ascensão ao círculo dos bilionários

Na década de 1980, Epstein conheceu o empresário Leslie Wexner, fundador da marca Victoria’s Secret. A relação entre os dois mudou completamente o patamar social do financista.

Epstein tornou-se uma espécie de conselheiro financeiro e “resolvedor de problemas” para Wexner e outros bilionários. Com acesso a mansões, jatinhos privados e a uma poderosa rede de contatos, ele passou a circular entre empresários, políticos e celebridades.

(Foto: Divulgação)

Pouco tempo depois, fundou sua própria empresa de gestão financeira, que aceitava apenas clientes com patrimônio superior a US$ 1 milhão. Em poucos anos, acumulou uma fortuna gigantesca.

Mesmo assim, sempre houve dúvidas sobre como Epstein construiu tamanha riqueza em tão pouco tempo. Ele passou a possuir propriedades luxuosas em diversos lugares do mundo, incluindo apartamentos em Manhattan, residências em Paris e no Novo México, além da famosa ilha privada no Caribe.

Little St. James, ilha privada de Epstein

A ilha privada e o esquema de exploração sexual

A propriedade mais conhecida de Epstein era a ilha Little Saint James, nas Ilhas Virgens Americanas. Segundo investigações e depoimentos de vítimas, a ilha teria sido usada para encontros com figuras poderosas e para exploração sexual de menores.

Epstein contava com a ajuda da socialite britânica Ghislaine Maxwell, filha do magnata da mídia Robert Maxwell. Maxwell teria atuado como recrutadora de vítimas.

Ghislaine Maxwell, foi considerada culpada de tráfico sexual infantil para Epstein

De acordo com investigações, adolescentes, muitas vezes vindas de famílias vulneráveis, eram abordadas e convencidas a fazer “massagens” em Epstein e nos amigos do bilionário em troca de dinheiro. Algumas também recebiam bônus caso trouxessem outras meninas.

Epstein recebendo massagem de menores de idade

O “Lolita Express” e a lista de nomes famosos

O avião particular de Epstein, um Boeing 727, ficou conhecido informalmente como “Lolita Express”, referência ao termo usado para descrever menores. Registros de voo indicaram a presença de diversas figuras públicas.

Foto: Onedio

Entre os nomes citados nos diários de voo estão:

  • o ex-presidente dos Estados Unidos Bill Clinton

(Foto: BBC)
  • o empresário Bill Gates

Epstein e Bill Gates juntos
  • o príncipe britânico Prince Andrew

O príncipe Andrew chegou a ser fotografado com uma das vítimas e acabou envolvido em processos civis relacionados ao caso. Já Clinton afirmou posteriormente que nunca teve conhecimento das atividades criminosas de Epstein. Gates também declarou que foi um erro ter mantido contato com o financista. O ex-presidente Donald Trump teve proximidade social com Epstein nos anos 1990 e início dos anos 2000, mas afirmou ter rompido relações antes de as acusações virem à tona.

Príncipe Andrew com uma das vítimas
(Foto: NBC Archive)

Suspeitas de chantagem e espionagem

Investigadores e jornalistas passaram a considerar a possibilidade de Epstein utilizar uma estratégia conhecida como kompromat, termo usado para descrever material comprometedor utilizado para chantagem. Segundo relatos, as propriedades do empresário teriam sido equipadas com diversas microcâmeras escondidas.

Testemunhas afirmaram que Epstein possuía cofres cheios de CDs e discos rígidos com gravações que poderiam comprometer pessoas poderosas.

O controverso acordo judicial de 2006

O primeiro grande processo contra Epstein ocorreu em 2006, na cidade de Palm Beach, na Flórida. Apesar da gravidade das acusações de abuso sexual de menores, o então procurador federal Alexander Acosta firmou um acordo altamente controverso com a defesa.

Estados Unidos contra Jefrrey Epstein em 2006 (Foto: Getty Images)

Epstein acabou condenado a apenas 13 meses de prisão, cumpridos em um regime extremamente brando. Ele podia sair da prisão durante o dia para trabalhar e retornar à noite. Além disso, possíveis cúmplices receberam imunidade judicial. O acordo foi duramente criticado por advogados das vítimas e por especialistas em direito.

A reviravolta de 2019

Mais de uma década depois, jornalistas investigativos revisitaram o caso e trouxeram novas revelações. A pressão pública levou à abertura de um novo processo federal. Epstein foi preso em julho de 2019 em Nova York e enviado para um presídio de segurança máxima. Mas o julgamento nunca aconteceu.

Epstein em 2019 (Foto: AP)

Em 10 de agosto de 2019, Epstein foi encontrado morto em sua cela. A morte foi oficialmente classificada como suicídio.

Diversas circunstâncias levantaram suspeitas.

(Foto: Reuters)

Na noite da morte:

  • as câmeras de segurança da ala falharam

  • os guardas responsáveis teriam dormido

  • o companheiro de cela de Epstein havia sido transferido horas antes

Essas falhas alimentaram inúmeras teorias e dúvidas sobre o que realmente aconteceu.

Maxwell condenada e Epstein Files

Em 2020, Ghislaine Maxwell foi presa e posteriormente condenada por ajudar Epstein no esquema de tráfico sexual de menores. Ela cumpre pena nos Estados Unidos. Nos últimos anos, novos documentos judiciais e e-mails relacionados ao caso continuaram surgindo.

Em 2026, um grande vazamento conhecido como “Epstein Files” voltou a colocar o escândalo em evidência, revelando comunicações e conexões entre Epstein e figuras influentes.

Um caso que ainda levanta perguntas

Mesmo após anos de investigações, muitas perguntas permanecem sem resposta, por isso, o caso Epstein segue sendo apurado por jornalistas e investigado pelas autoridades americanas.

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