Testes de audição online viralizam, mas é preciso alerta para limites e riscos de interpretações erradas

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Testes que prometem avaliar a saúde dos ouvidos ou até revelar a idade auditiva a partir das frequências sonoras que a pessoa consegue escutar se tornaram febre nas redes sociais nos últimos anos.
Em geral, esses testes funcionam com a reprodução de sons em diferentes frequências e, quando o usuário deixa de perceber determinado ruído, o resultado indica uma suposta perda auditiva ou uma idade relacionada à audição. Rápidos, gratuitos e acessíveis, eles atraem milhões de curiosos que buscam respostas sem sair de casa.
Apesar da popularidade, especialistas alertam que não é possível medir a saúde auditiva com precisão por meio de vídeos ou testes disponíveis na internet. Isso acontece porque a maioria das pessoas realiza esses testes em ambientes com ruído, utilizando celulares ou computadores com volume inadequado e fones de qualidade variável. Esses fatores interferem diretamente no resultado e podem gerar conclusões equivocadas, tanto alarmistas quanto tranquilizadoras demais.
Em condições mais controladas, como volume do aparelho ajustado em até 50%, ambiente silencioso e uso de fones de ouvido de boa qualidade, os testes online podem ter alguma utilidade. Ainda assim, funcionam apenas como uma triagem inicial e jamais substituem uma avaliação clínica. A faixa de frequência mais utilizada na comunicação humana, como as falas do dia a dia, varia entre 500 Hz e 2 mil Hz. Sons graves ficam entre 250 Hz e 3 mil Hz, enquanto os agudos ultrapassam essa marca, sendo raro perceber sons acima de 8 mil Hz na rotina, segundo a otorrinolaringologista Sandra Bastos.
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O problema é que muitos testes auditivos online incluem frequências extremamente altas, chegando a 20 mil Hz. Esse tipo de estímulo pode criar uma falsa impressão de perda auditiva, já que essas frequências não fazem parte da experiência sonora cotidiana da maioria das pessoas. Assim, não conseguir ouvir esses sons não significa, necessariamente, que há um problema clínico instalado.
Mesmo com essas limitações, os testes online conseguem apontar alguns sinais gerais. Eles podem indicar maior dificuldade em ouvir sons graves ou agudos, sugerir assimetria entre os ouvidos e identificar uma redução moderada da sensibilidade auditiva. O principal benefício está no alerta precoce. Para muitos usuários, perceber que algo pode não estar bem é o estímulo necessário para procurar um audiologista ou otorrinolaringologista, o que é fundamental para a prevenção.
Por outro lado, essas ferramentas não detectam o tipo de perda auditiva nem doenças do ouvido, como otites, perfuração do tímpano, otosclerose, doença de Ménière, zumbidos específicos ou tumores do nervo auditivo. Também não avaliam a compreensão da fala e dependem fortemente do dispositivo utilizado, o que pode gerar falsos positivos ou negativos. Por isso, confiar apenas nesses testes pode atrasar diagnósticos e tratamentos importantes.
Dicas para cuidar da sua saúde auditiva
Para manter uma boa saúde auditiva, especialistas recomendam cuidados simples no dia a dia. Evitar exposição prolongada a sons altos, manter o volume abaixo de 85 decibéis, fazer pausas no uso de fones de ouvido e nunca utilizá-los apenas em um ouvido são atitudes essenciais. Também é importante não usar hastes flexíveis para limpar o interior do ouvido, proteger a audição em ambientes ruidosos, manter uma rotina saudável com boa alimentação, sono de qualidade e controle do estresse, além de visitar regularmente o otorrinolaringologista. A prevenção ainda é a melhor forma de garantir uma audição saudável ao longo da vida.
*Com informações de Instituto Auditivo e G1.






