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Por que tanta gente se sente mal mesmo com a vida “em ordem”?

A melhora está relacionada à valorização das relações pessoais, maior aceitação da própria trajetória e redução da pressão por desempenho
18/01/26 às 15:00h
Por que tanta gente se sente mal mesmo com a vida “em ordem”?

(Foto: Thinkstock)

Ter finanças organizadas, carreira estável e rotina estruturada não tem sido garantia de bem-estar emocional. Pesquisas recentes indicam que, mesmo quando a vida parece equilibrada externamente, muitas pessoas convivem com sentimentos de vazio, ansiedade e esgotamento.

O Ipsos Happiness Index 2025 ilustra essa contradição. No Brasil, 79% da população se declara feliz, mas apenas 34% afirma estar satisfeita com a própria qualidade de vida. Os dados apontam uma diferença entre organização material e sensação real de bem-estar.

O levantamento, realizado com 24 mil pessoas em 30 países, coloca o Brasil como o 5º país mais feliz do mundo. Ainda assim, quando analisados os fatores associados à felicidade, a saúde mental e física aparece como um dos principais pontos de atenção, enquanto a falta de dinheiro segue como a maior causa de insatisfação para 48% dos brasileiros, percentual que chega a 62% entre pessoas de baixa renda.

Os números sugerem que estabilidade e estrutura não são suficientes para garantir equilíbrio emocional. Rotinas rígidas, excesso de cobrança e pouco espaço para relações afetivas e sentido pessoal ajudam a explicar por que o desconforto persiste mesmo quando “está tudo certo”.

Estabilidade no trabalho não significa satisfação

O cenário se repete no ambiente profissional. O estudo Pluxee/The Happiness Index 2025, que ouviu 16 mil trabalhadores, aponta uma leve alta no índice de felicidade no trabalho, que passou de 7,3 para 7,6, mas ainda permanece abaixo da média global.

Apesar da melhora, apenas 53% dos profissionais recomendariam suas empresas. Fatores como propósito, reconhecimento e relações interpessoais têm peso maior na percepção de bem-estar do que estabilidade ou remuneração. Trabalhadores acima dos 51 anos apresentam índices mais altos de satisfação, associados à maturidade emocional e vínculos mais consolidados.

Regionalmente, o Norte lidera os índices de felicidade no trabalho, enquanto o Sudeste registra os menores níveis, mesmo concentrando grande parte das oportunidades econômicas do país.


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Conexões e significado

Outro dado relevante é o aumento da percepção de felicidade entre brasileiros com mais de 60 anos. A melhora está relacionada à valorização das relações pessoais, maior aceitação da própria trajetória e redução da pressão por desempenho.

Os levantamentos reforçam que qualidade de vida vai além de rotina organizada e metas cumpridas. Sem espaço para vínculos, autocuidado e sentido pessoal, a vida “em ordem” pode não se traduzir em bem-estar emocional.