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Agonorexia: entenda a nova condição ligada ao uso indiscriminado das canetas emagrecedoras

09/03/26 às 22:45h
Agonorexia: entenda a nova condição ligada ao uso indiscriminado das canetas emagrecedoras

(Foto: reprodução)

O uso indiscriminado das canetas de emagrecimento, que deveriam ser aplicadas somente diante de prescrição médica, tem acendido um alerta entre especialistas. Um novo termo, “agonorexia”, passou a ser utilizado para descrever casos em que esses remédios reduzem o apetite de forma excessiva, provocando um quadro semelhante à anorexia.

Embora ainda não seja reconhecida oficialmente como diagnóstico médico, a expressão vem sendo usada para identificar situações em que pacientes apresentam perda quase total da fome, rejeição à comida e mudanças no comportamento alimentar que podem afetar a saúde física e emocional.

A psicóloga Vanessa Abitbol explica que o termo “agonorexia”, embora venha sendo usado por profissionais, ainda não é um diagnóstico oficial para a comunidade. No entanto, ela alerta que é necessário diferenciar o termo dos diagnósticos de anorexia e bulimia.

Ela explica que a anorexia e bulimia se referem a transtornos alimentares reconhecidos clinicamente, mas que podem se apresentar de formas diferentes, inclusive podendo coexistir em alguns casos.

(Foto: Dra Vanessa Abitbol – Divulgação)

“A anorexia nervosa é caracterizada principalmente por restrição alimentar intensa, medo extremo de ganhar peso e uma distorção importante da imagem corporal. A pessoa, mesmo estando abaixo do peso esperado, continua se percebendo como “acima do peso” ou inadequada”, explica a especialista, diferenciando ainda a anorexia da bulimia.

“Já a bulimia nervosa envolve episódios recorrentes de compulsão alimentar (ingestão de grande quantidade de alimento em curto período, com sensação de perda de controle) seguidos de comportamentos compensatórios para evitar ganho de peso, como vômitos autoinduzidos, uso de laxantes, jejuns prolongados ou prática exagerada de exercícios”, conclui a psicóloga.

O que desencadeia a agonorexia? 

A agoronexia está associada aos chamados análogos de GLP-1, classe de medicamentos utilizada em tratamentos com fármacos como Wegovy e Mounjaro. Esses remédios atuam no cérebro para reduzir a fome e também retardam o esvaziamento do estômago, prolongando a sensação de saciedade.

O efeito esperado é a diminuição controlada do apetite. No entanto, quando os medicamentos são aplicados em doses muito altas a fome é praticamente bloqueada. A pessoa passa a comer muito pouco, sente enjoo ao se alimentar e começa a pular refeições com frequência. 


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Outra característica da agonorexia é que, em 90% dos casos, quem desenvolve a condição são pessoas que sequer estão acima do peso para utilizar canetas emagrecedoras. Por isso o termo pode ser confundido com a anorexia, que também é diagnosticada em pessoas que não estão necessariamente acima do peso.

(Foto: Freepik)

Especialistas apontam que o problema é mais comum entre pessoas que utilizam as chamadas “canetas emagrecedoras” sem indicação médica adequada. Entre os fatores de risco estão:

  • busca por perda de peso rápida;
  • início do tratamento com doses elevadas, sem aumento gradual;
  • distorções na percepção da própria imagem corporal.

Os estudos que avaliaram a segurança desses medicamentos foram realizados principalmente com pacientes diagnosticados com obesidade ou diabetes. Fora desse perfil, os riscos tendem a ser maiores, incluindo perda acelerada de peso acompanhada de redução de massa muscular, o chamado “efeito sanfona”.

Entre os principais impactos associados à agonorexia estão:

  • perda significativa de massa muscular;
  • desnutrição;
  • desidratação;
  • cansaço intenso;
  • queda no desempenho físico.

Em pessoas com obesidade ou diabetes, medicamentos como Wegovy e Mounjaro podem trazer benefícios comprovados quando usados corretamente. No entanto, médicos reforçam que o tratamento deve sempre ocorrer com acompanhamento profissional.

Ao perceber redução extrema do apetite ou dificuldade persistente para se alimentar, a orientação é procurar um médico para reavaliar a dose ou a continuidade do uso. Especialistas destacam ainda que esses medicamentos não devem ser utilizados apenas por motivos estéticos, já que o uso inadequado pode causar danos duradouros à saúde.

 

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