Endometriose: Entenda doença que pode ser tornar problema sério de saúde da mulher

Foto; Reprodução.
Neste mês da mulher, aumenta a conscientização em torno da endometriose, uma doença que afeta mulheres durante o período menstrual. Segundo a Organização Mundial da Saúde, estima-se que 10 a 15% das mulheres em idade reprodutiva sofrem com a doença em todo o mundo. Uma a cada 10 mulheres experimentam os sintomas da doença e desconhece a sua existência. Mas os impactos da endometriose sobre os sistemas de saúde pública e no mercado de trabalho (porque algumas mulheres chegam a ficar incapacitadas no período menstrual) não pode ser negado.
A Onda Digital conversou com o doutor Mario Jorge Quadros, endocrinologista, que explicou sobre o que consiste a doença e porque o diagnóstico dela é difícil. Ele também falou sobre formas possíveis de tratamento.

Onda Digital: Doutor, explique de modo simplificado o que é a endometriose.
Mario Quadros: Endometriose é uma doença ginecológica em que um tecido semelhante ao endométrio (camada que reveste o interior do útero) cresce fora do útero. Esse tecido pode aparecer em locais como: Ovários, trompas, peritônio (revestimento da pelve), intestino, bexiga ou em outros órgãos, mais raramente. Mesmo estando fora do útero, esse tecido responde aos hormônios do ciclo menstrual, podendo inflamar, sangrar e causar dor.
Onda Digital: Por que, muitas vezes, é difícil diagnosticar a endometriose?
Ela é uma doença relativamente comum, mas o diagnóstico costuma ser difícil e demorado. Em muitos casos, as mulheres levam 7 a 10 anos desde o início dos sintomas até receber o diagnóstico correto. Isso acontece por vários fatores médicos e sociais, o principal deles é o fato de ainda existir a cultura de que dor intensa durante a menstruação muitas vezes é considerada “normal”, o que leva pacientes a demorarem para procurar ajuda, e médicos a subestimarem os sintomas. Isso faz com que muitas pacientes sejam tratadas por anos para outras doenças.
Além disso, exames comuns podem não detectar a doença, principalmente nos casos iniciais. Ultrassom pélvico convencional e exames laboratoriais podem não revelar a endometriose. Os exames mais úteis são ultrassom transvaginal com preparo intestinal, e Ressonância Magnética pélvica especializada.
Onda Digital: Quais os principais sintomas?
Mario Quadros: Algumas mulheres quase não têm sintomas, o que dificulta ainda mais a suspeita. Esses são os sinais para se ficar de olho:
- cólica menstrual muito intensa ou incapacitante
- dor durante relação sexual
- dor pélvica crônica
- infertilidade
- dor ao evacuar ou urinar no período menstrual
- distensão abdominal cíclica.
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Onda Digital: E quais as formas de tratamento?
Mario Quadros: Hoje em dia, o tratamento hormonal é a base do tratamento clínico, que tem como objetivo diminuir o estímulo do estrogênio, que alimenta as lesões. Temos anticoncepcionais hormonais, progestagênios que atrofiam o tecido endometriótico, e em casos moderados ou graves, análogos de GnRH que induzem uma menopausa temporária e reduzem muito o estrogênio.
Também existem tratamentos que combinam anti-inflamatórios com dieta e fisioterapia pélvica. Em alguns casos pode fazer procedimento cirúrgico para retirada de focos fora do útero como ovários e intestino.
Hoje o diagnóstico tem melhorado porque há mais conhecimento da doença, os exames de imagem evoluíram e existe maior suspeição clínica precoce.
Depoimento

A Onda Digital também falou com Rosana Ramos, que convive com a doença. Ela gentilmente nos cedeu um depoimento sobre como lidou com a endometriose:
“Sobre o meu diagnóstico, ele veio em 2019, mas comecei a sentir os primeiros sintomas em 2018, quando comecei a sentir dores na região da pelve. Eu comecei a passar mal na madrugada de sexta, fui internada em 2 hospitais particulares e 2 públicos, onde surgiu a suspeita de cisto no ovário. Eu prossegui com a cirurgia pelo plano de saúde pois seria mais rápido e em 2019, fiz a cirurgia de retirada do cisto, onde acabei perdendo um dos meus ovários. Antes da confirmação, eu não tinha sintomas fortes, foi uma ou duas vezes que senti uma cólica mais forte, mas achei que era normal, que tinha que aguentar. Depois desse final de semana que passei por muitas internações, percebi que não era normal.
Depois do laudo confirmar a endometriose, comecei o tratamento com medicamento, passei por pílula, injeção, implanon, até chegar no tratamento que hoje eu me dou bem.
Com 7 anos de tratamento, hoje tenho uma qualidade de vida melhor, mas ainda bem restrita em relação a minha alimentação. Por exemplo, evito frituras, bebidas alcoólicas, alimentos inflamatórios. Fiz essas adaptações pois preciso viver com essa condição”.
Se você experimenta algum dos sintomas, busque atendimento médico.





