O que é o gongo, ‘bicho do coco’ usado como alimento

Primeiro, o olho estranha. A reação inicial costuma ser o receio diante da ideia de comer um inseto. Em seguida, vem a pergunta inevitável: será que é gostoso?
O gongo do coco de babaçu, também conhecido como “coró” ou “bicho do coco” em diferentes regiões, é, para muitos, apenas uma larva de besouro. No entanto, em diversas comunidades do interior do Brasil, ele é tido como comida de verdade, iguaria rica em nutrientes, sinônimo de tradição e lembrança de infância.
Do interior para a mesa: tradição e sustentabilidade
Encontrado no interior do coco de babaçu, o gongo se alimenta da amêndoa da fruta, o que confere a ele um sabor adocicado, gorduroso e marcante, muito semelhante ao do próprio coco.
- Preparo diversificado: pode ser consumido cru, frito na própria gordura, misturado na farofa temperada, assado ou como recheio de pizzas gastronômicas.
- Cultura viva: para as quebradeiras de coco e populações rurais do Maranhão, Piauí, Pará e Tocantins, o consumo faz parte da rotina e do reaproveitamento total dos recursos da floresta.
- Tendência global: enquanto o Ocidente descobre a entomofagia, o consumo de insetos, como alternativa sustentável e rica em proteínas para o futuro, o interior do Brasil já pratica essa cultura há gerações.
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E no Amazonas, como o gongo é usado?
No Amazonas, o gongo também faz parte dos conhecimentos tradicionais ligados aos recursos da floresta, mas seu uso varia conforme a comunidade. No interior do estado, a larva é utilizada principalmente como isca para pesca e também é conhecida em práticas de sobrevivência na selva, devido ao seu alto teor de gordura e proteínas.
O consumo como alimento também aparece em registros sobre povos indígenas da Amazônia, apresentado os turistas que visitam as comunidades originárias como iguaria. Há relatos de diferentes comunidades que aproveitam larvas encontradas em frutos ou troncos, preparadas assadas ou fritas.
Em um registro sobre os Marubo, por exemplo, uma larva encontrada no tronco do jaracatiá era envolvida em folhas e assada sobre a brasa.
Assim, no Amazonas, o “bicho-do-coco” não deve ser tratado apenas como uma curiosidade gastronômica. Ele faz parte de um conhecimento tradicional sobre como aproveitar recursos disponíveis na floresta, seja na alimentação, na pesca ou em situações de sobrevivência.





