Pets idosos: quando cães e gatos entram na terceira idade?

“A Cuca viveu 13 anos comigo e, nesse tempo, deixou de ser apenas uma cadela. Ela fazia parte da família e era tratada como gente”, diz a jornalista Glauci Alencar, que conviveu com mais de uma década com sua pet. A história reflete o forte vínculo entre tutores e animais, que, com o avanço da medicina veterinária, vivem mais e também enfrentam novos desafios na velhice, incluindo doenças e a despedida.
“A história dela começou de uma forma muito especial. A mãe da Cuca engravidou já com certa idade e teve muita dificuldade durante o parto. Um dos filhotes era muito grande, e ela já não tinha forças para conseguir parir sozinha. Eu precisei ajudar no parto. No fim, nasceram sete filhotes. E, entre todos eles, eu me apeguei logo à Cuca. Ela era o filhote mais gordinho da ninhada e, de alguma forma, chamou minha atenção desde o começo. Foi assim que começou a nossa história”, contou Glauci.

Porém, para todo dono de pet, um dia chega o momento da despedida.
“A gente só descobriu que ela tinha problemas renais quando a doença já estava em um estágio muito avançado”, disse Glauci. “Os problemas eram graves e, naquele momento, o tratamento já era paliativo. O que podíamos fazer era cuidar dela, aliviar o sofrimento e tentar proporcionar o máximo de conforto possível”.
“Foram 13 anos de convivência, de brincadeiras, de rotina e de muito carinho. E existe ainda uma coincidência que sempre me marcou: a mãe dela também viveu 13 anos e morreu de forma natural”.

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Pets como membros da família
Hoje em dia, tratar gatos e cães como membros da família já não é mais a exceção nos lares brasileiros, é a regra.
Segundo a Associação Brasileira da Indústria do Setor de Estimação (Abinpet), a expectativa é de que os brasileiros gastarão em 2026 mais de R$ 80 bilhões com produtos para seus pets. Isso inclui não só gastos com alimentação e saúde, mas principalmente com o bem-estar e a longevidade dos animais.
Afinal, assim como vem acontecendo com os seres humanos, os avanços da medicina e da tecnologia estão possibilitando aos pets viverem por mais tempo.
Então fica a pergunta: as pessoas estão preparadas para cuidarem dos seus animais quando eles ficarem idosos? A Onda Digital conversou com Amanda Corocher, médica veterinária especializada em felinos domésticos, sobre longevidade e cuidados que se deve ter com os animais nessa fase da vida.

Qual a expectativa, em geral, de anos de vida para cães e gatos?
A idade em que um animal entra na fase considerada idosa varia de acordo com a espécie e, principalmente, com o porte. De acordo com Amanda Corocher, cães de pequeno porte podem ultrapassar os 16 anos e alguns chegam aos 20.
“Cães de pequeno porte podem viver até 16 anos ou mais (cheguei a ter pacientes de 20). Já cães de grande porte dificilmente passam dos 12 anos de idade. Gatos, por sua vez, se domiciliados e com boa assistência veterinária, podem chegar aos 18 anos”, comentou a veterinaria.
Raça ou tamanho do animal influencia? Cães de pequeno porte, por exemplo, vivem mais que os grandes?
O porte também influencia o processo de envelhecimento. A veterinária afirma que cães de raças menores tendem a viver mais, enquanto os de grande porte envelhecem mais rapidamente.
“Cânceres têm sido mais frequentemente encontrados em pacientes idosos de médio e grande porte, devido ao aumento da longevidade dos pets nos últimos anos”, completou.
Quais as principais doenças que atingem animais idosos, e como prevenir?
Com o avanço da idade, cães e gatos ficam mais suscetíveis a diferentes problemas de saúde. Segundo a veterinária, as doenças osteoarticulares estão entre as mais comuns a partir dos sete anos.
“Tanto para cães quanto para gatos, as doenças osteoarticulares são bem comuns a partir dos 7 anos de vida. Apesar de serem degenerativas e irreversíveis, têm tratamento para controle da dor e melhora da qualidade de vida”, disse.
“Doenças renais acometem as duas espécies, mas aparecem mais precocemente em gatos. Já as doenças cardíacas são mais frequentes em cães de pequeno porte e raras em gatos”.
Amanda recomenda a realização de check-ups anuais a partir dos sete anos, além de alimentação adequada e um ambiente adaptado às necessidades de cada espécie.
“A prevenção vem do bom acompanhamento veterinário com check-up anuais a partir dos 7 anos de vida, alimentação super premium e ambiente adequado para cada espécie. Pras doenças osteoarticulares, a prevenção vem de evitar sedentarismo e observar alterações comportamentais para identificar dor ou desconforto. Para as doenças renais, a ingestão abundante de água e alimentos úmidos ajudam a adiar o aparecimento”, disse.
“Doenças cardíacas são mais difíceis de prevenir, mas os check-ups anuais podem ajudar a identificar mais cedo e, assim, estender a vida dos pacientes”, completou.





