“Chronoworking”: Entenda tendência humanizada do mercado de trabalho

O programa Conexão Onda, da Rede Onda Digital, recebeu, na manhã desta quinta-feira (3/9), o mestre em Administração e Gestão de Pessoas Ulisses Bezerra e a fisioterapeuta do sono Luciane Zuffo para falar sobre o ‘chronoworking’, uma nova tendência que surge no mercado e consiste em adaptar a jornada de trabalho ao ciclo biológico da pessoa.
Durante a entrevista, Luciane Zuffo explicou que os indivíduos possuem diferentes padrões de funcionamento do relógio biológico. Ela destacou a existência de pessoas mais matutinas, que apresentam maior disposição pela manhã, e outras com perfil vespertino, que funcionam melhor em horários mais tarde.
“Nós temos características individuais”, disse Luciane. “Chamamos isso de cronotipo, é a forma como funciona cada relógio biológico. Temos pessoas qye são amis matutinas, acordam cedo e funcionam melhor de manhã, e temos pessoas que são vespertinas. A grande maioria fica num estado intermediário, do meio da manhã ao meio da tarde. Se pudermos respeitar essas características especiais de cada ser humano, e adaptar o trabalho a isso, seria o mundo ideal. Mas o que vemos na maioria das vezes é que as pessoas não conseguem respeitar a fisiologia do corpo. A pessoa vespertina então precisa acordar e estar no trabalho às 8h”.
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Segundo a fisioterapeuta, respeitar essas diferenças pode trazer benefícios para a saúde dos trabalhadores.
“Mas quando isso é respeitado, temos qualidade de sono, prevenção de doenças cardiovasculares, de doenças mentais e psicossociais”, completou a doutora.
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Ulisses Bezerra explicou que o modelo tradicional de jornada profissional foi construído a partir das necessidades da indústria e dos horários fixos de produção. Para ele, modelos mais flexíveis começaram a ganhar espaço com as transformações recentes no mercado.
“O nosso modelo de trabalho de hoje nasceu da indústria, da linha de produção com horário definido. Os modelos mais flexíveis tem surgido em tempos mais recentes, em alguns países. No Brasil, tem a questão da legislação: o fim da escala 6×1 vem sendo debatida há algum tempo e é um processo que demora. Mas os gestores hoje em dia já começam a observar a possibilidade de flexibilizar o horário do profissional, em alguns setores”.
Para Ulisses, um dos principais obstáculos para ampliar a flexibilidade está na forma como as empresas acompanham a produtividade dos funcionários. Segundo ele, ainda existe resistência entre gestores em relação ao home office e ao teletrabalho, principalmente pela dificuldade de monitorar as atividades.
“Para as empresas, essa flexibilização não se aplica a todos os segmentos. Criação, design, área de tecnologia, são setores onde pode haver essa flexibilização. O maior gargalo para isso, a meu ver, é a questão da gestão da produtividade. Sabemos que ainda há muita crítica quando se fala de home office ou teletrabalho, nos quais os gestores ainda não têm como controlar o trabalho, por isso o receio com técnicas novas. Mas o chronoworking pode ter vários impactos, no sono do colaborador, na rotina da cidade, e isso pode trazer motivação para a pessoa, e assim estimular a produtividade”.
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Para que o chronoworking funcione, Ulisses defende que as empresas estabeleçam regras claras de funcionamento e fortaleçam a cultura organizacional. Mesmo em modelos de trabalho remoto, ele considera importante definir períodos em que os funcionários estejam disponíveis simultaneamente.
“As empresas que adotam o chronoworking precisam ter muito reforçada a sua cultura organizacional. É importante que, mesmo que haja teletrabalho, é preciso que a empresa estabeleça o horário de sincronia, no qual os colaboradores vão se encontrar. Não será algo universal, mas empresas que conseguirem adotar essa temática poderão ter colaboradores mais motivados, e isso vai influenciar na produtividade”.





