Dobra na orelha pode indicar risco cardíaco? Entenda o que é o Sinal de Frank

Sulco no lóbulo da orelha identificado como sinal de Frank é alerta para risco de problemas cardíacos
Foto: Reprodução Journal of Clinical Medicine
A presença de uma dobra diagonal no lóbulo da orelha, conhecida como Sinal de Frank, voltou a chamar atenção após a morte do empresário e influenciador Henrique Maderite, aos 50 anos, vítima de um infarto fulminante. A marca, visível em uma ou nas duas orelhas, é estudada há mais de cinco décadas como possível indicativo de risco cardiovascular.

Descrito pela primeira vez em 1973 pelo médico norte-americano Sanders Frank, o sinal passou a ser associado à doença coronariana, condição em que placas de gordura se acumulam nas artérias do coração e dificultam o fluxo sanguíneo. Apesar disso, estudos ressaltam que a dobra não é um diagnóstico e nem deve ser interpretada como preditor isolado de infarto.
Pesquisas recentes reforçam que o tema ainda gera debate. Um estudo da Faculdade de Medicina do ABC avaliou 656 pessoas com 60 anos ou mais, entre 2020 e 2023, recrutadas em unidades básicas de saúde e locais públicos. Diferentemente de levantamentos feitos em hospitais, a pesquisa analisou idosos não internados e sem acompanhamento cardiológico especializado, o que permitiu observar o sinal em uma população considerada saudável.
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Os dados apontaram que 61,3% dos participantes apresentavam o sinal de Frank. A presença foi estatisticamente maior em pessoas mais idosas, mulheres e indivíduos brancos. A idade média do grupo era de 71,8 anos, e quase 59% eram do sexo feminino.
Outro estudo, conduzido pela Faculdade de Medicina de Botucatu da Unesp, avaliou 110 homens submetidos à cineangiocoronariografia. A prega diagonal apareceu em 60% dos pacientes com doença coronariana, contra 30% no grupo sem obstruções. Quando o sinal de Frank estava associado a uma prega pré-auricular, o valor preditivo positivo chegou a 90%.
Ao identificar a dobra, a recomendação é buscar avaliação médica. O profissional pode solicitar exames conforme o perfil de risco do paciente, como aferição da pressão arterial, testes de colesterol e glicemia, eletrocardiograma, ecocardiograma e, em casos específicos, teste ergométrico ou angiotomografia das coronárias. Em situações de suspeita mais grave, pode ser indicado até mesmo o cateterismo.
O tratamento, quando necessário, envolve mudanças no estilo de vida, uso de medicamentos e, em alguns casos, procedimentos como a colocação de stents.
*Com informações de G1 e Viva Bem UOL.





