Caspa: mito ou realidade? Metade do mundo tem e o estresse pode agravar

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A dermatite seborreica, popularmente conhecida como caspa, não é apenas uma questão de estética, mas uma condição dermatológica crônica que afeta cerca de 50% da população mundial em algum momento da vida adulta, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS).
No Brasil, a estimativa da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) corrobora o impacto global, destacando que a condição é um dos principais motivos de consulta dermatológica no país.
O que é e o que causa?
Diferente do que dita o senso comum, a caspa não é causada por falta de higiene. Trata-se de uma inflamação no couro cabeludo acompanhada por descamação. Segundo o Ministério da Saúde, a causa é multifatorial e envolve:
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Oleosidade excessiva: Produção acentuada das glândulas sebáceas.
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Fungos: A presença do fungo Malassezia, que habita naturalmente a pele, mas pode se proliferar excessivamente.
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Fatores genéticos: Predisposição familiar à sensibilidade no couro cabeludo.
Fatores de risco e agravantes
A SBD ressalta que certos hábitos e condições ambientais podem desencadear crises de dermatite:
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Variações climáticas: O tempo frio e seco aumenta a incidência, pois as glândulas sebáceas trabalham mais e o uso de água quente no banho remove a proteção natural da pele, gerando um “efeito rebote”.
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Estresse e ansiedade: O sistema emocional tem ligação direta com a saúde da pele, podendo exacerbar processos inflamatórios.
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Alimentação: Dietas ricas em gorduras e açúcares podem influenciar a oleosidade sistêmica.
Condição
A caspa é uma condição comum do couro cabeludo e pode estar associada a fatores como estresse e alterações hormonais. Apesar de não ter cura definitiva, o problema tem tratamento e pode ser controlado, reduzindo significativamente os sintomas e, em alguns casos, desaparecendo por períodos prolongados.
De acordo com a cabeleireira e especialista em mechas e tratamentos capilares, Paula Frazão, o uso de shampoos específicos para controle de oleosidade e descamação é uma das principais formas de tratamento. Produtos à base de cetoconazol também são indicados, pois ajudam a combater a proliferação de fungos no couro cabeludo.
Ela destaca ainda que alguns tratamentos naturais podem auxiliar no controle do quadro, como a aplicação de argila no couro cabeludo e o uso de óleos essenciais. Outro recurso citado é o aparelho de alta frequência (popularmente chamado de “autofrequência”), utilizado para auxiliar na cicatrização quando há coceira ou irritação.
Segundo Paula, a caspa não provoca queda definitiva dos fios, mas pode causar queda temporária. Isso ocorre quando há aumento da descamação e coceira intensa, levando à fricção do couro cabeludo e enfraquecimento momentâneo dos fios. Com o tratamento adequado, o cabelo tende a voltar a crescer normalmente, sem causar calvície permanente.
A especialista orienta que, quando a descamação estiver em excesso e interferindo na rotina ou causando desconforto significativo, é fundamental procurar um dermatologista para avaliação e indicação do tratamento mais adequado.
Tratamento e Prevenção
Embora não tenha uma “cura” definitiva por ser uma condição crônica, a caspa é controlável. O Ministério da Saúde recomenda evitar banhos muito quentes, não dormir com os cabelos úmidos e evitar o uso excessivo de chapéus ou bonés, que criam um ambiente abafado e úmido favorável a fungos.
O uso de xampus terapêuticos com princípios ativos como cetoconazol, piritionato de zinco ou ácido salicílico é a linha de frente do tratamento.
Contudo, dermatologistas alertam: a automedicação pode piorar o quadro se o diagnóstico não estiver correto, já que a descamação também pode ser sintoma de psoríase ou alergias.





