Eleições 2026: indecisos dominam cenário e podem virar o jogo no Amazonas

As eleições de 2026 no Amazonas caminham sob tom de incerteza e com um protagonista claro: o eleitor indeciso. Levantamentos recentes apontam que a maioria do eleitorado ainda não definiu seu voto, o que pode refletir desinteresse crescente pela política e dificuldade de identificação com os pré-candidatos ao governo do estado.
Segundo análises do comentarista político Helso Ribeiro, mesmo com o voto obrigatório no Brasil, a abstenção tem girado em torno de 20%, um índice considerado alto.
“Há muito tempo uma parcela significativa da população não se interessa por política. Muitos vão votar apenas para evitar punições, sem qualquer engajamento real”, afirma.
Na corrida estadual, nomes como Omar Aziz (PSD), David Almeida (Avante), Maria do Carmo Seffair (PL) e, possivelmente hoje, após eleição para governador tampão, Roberto Cidade (União Brasil) aparecem entre os citados, mas ainda sem consolidar vantagem decisiva.
Pesquisas reforçam esse quadro: há levantamentos que indicam até 85% de indecisos no cenário espontâneo. Mesmo nos cenários estimulados, a margem de eleitores sem candidato definido segue relevante, mantendo a disputa em aberto, a exemplo do levantamento divulgado em 6 de abril pelo Instituto Veritá, quando 83,1% disseram ainda não possuir candidato definido.
Para Ribeiro, a definição do eleitor passa diretamente pela construção de conexão com os candidatos. “O fundamental é a geração de empatia entre candidatos e população. Hoje ninguém sabe quem serão os vices, quais alianças serão feitas ou quais propostas serão apresentadas. Isso só deve se consolidar após as convenções partidárias”, explica.
Leia mais
“Eleição nunca é simples no Amazonas”, diz Radyr Júnior sobre 2026
Pesquisa aponta empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro no 2º turno
Outro fator que influencia o cenário local, segundo o analista, é a polarização nacional entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ex-presidente Jair Bolsonaro. Apesar de impactar o debate político, ele avalia que o efeito não é absoluto.
“Essa polarização se retroalimenta e beneficia os dois lados, mas não é totalmente determinante nas eleições estaduais. O eleitor muitas vezes separa o voto local do nacional”, pontua.
Com alianças indefinidas, ausência de chapas completas e propostas ainda pouco conhecidas, a tendência é que o cenário só comece a se consolidar após agosto.
“Até lá, é natural que os indecisos continuem em alta. Ainda tem muita água para passar debaixo da ponte”, conclui.





