Documento de Leão XIV alerta para riscos da IA, guerras e mudanças no trabalho

A nova encíclica Magnifica Humanitas, publicada nesta segunda-feira (25) pelo papa Leão XIV, coloca a Inteligência Artificial no centro de um debate que ultrapassa a tecnologia e chega à vida cotidiana das pessoas. O documento retoma a histórica Rerum Novarum, de 1891, que marcou a Doutrina Social da Igreja durante a Revolução Industrial, para afirmar que o mundo vive hoje uma nova transformação global: a revolução digital.
À Onda Digital, o padre George Lins, da ordem Missionário Oblato de Maria Imaculada, a comparação feita pelo pontífice é clara: “podemos afirmar que também vivemos uma revolução digital no âmbito social em uma escala global”.

Segundo ele, a Inteligência Artificial já está modificando profundamente a forma como as pessoas trabalham, estudam e se relacionam. “Vivemos em uma sociedade cada vez mais conectada, na qual a Inteligência Artificial surge como uma força transformadora, influenciando nossas vidas de formas profundas e inesperadas”, explicou. O religioso destaca que o papa chama atenção para o uso responsável dessas tecnologias e resgata o conceito defendido pelo Papa Francisco sobre a “Algorética”, uma ética voltada ao uso dos algoritmos e da IA.
Outro ponto forte da encíclica é o alerta sobre a concentração de poder nas grandes empresas de tecnologia. O padre lembra que a influência das chamadas Big Techs já é percebida até mesmo em regiões periféricas. “Até mesmo nas regiões mais periféricas de nossas cidades, como aqui em Manaus, é possível perceber que a tecnologia já faz parte da vida das pessoas”, disse.
Ao mesmo tempo, ele alerta que o uso das plataformas sem uma ética humanizada favorece a disseminação de desinformação. “Essa dinâmica digital exercerá forte influência nas próximas eleições e, de certa forma, corremos o risco de perder o controle sobre os impactos gerados por esse ambiente virtual”.
Leia mais
Papa Leão XIV faz pedido histórico de perdão pela escravidão
Saiba quem foi o papa Leão XIII e qual a origem do nome do novo papa
Na área militar, o documento traz um dos alertas mais duros. O papa critica o uso da Inteligência Artificial em conflitos e sistemas autônomos de guerra. Para o padre, a tecnologia já está presente em cenários reais, como o conflito entre Rússia e Ucrânia, com uso de drones guiados por IA. “Não há algoritmo ou mecanismo tecnológico que possa substituir a consciência, a responsabilidade ética e o valor da vida humana”, disse.
O sacerdote também ressaltou que o alcance da encíclica vai além da religião e toca diretamente a vida em sociedade. “As encíclicas não se limitam apenas ao campo da fé, mas trazem sempre uma reflexão sobre a vida concreta onde a fé se desenvolve. Fé e vida caminham juntos”, afirmou. Para ele, Magnifica Humanitas não é apenas um documento sobre Inteligência Artificial, mas um convite para refletir sobre o futuro da humanidade em um mundo cada vez mais tecnológico.




