Antigos campeões de votos hoje estão fora da política ou longe dos holofotes de Brasília

(Arte: Rede Onda Digital)
O que têm em comum as trajetórias políticas de Francisco Praciano (PT), Henrique Oliveira (PODE), Carlos Souza (PL), Alfredo Nascimento (PL), Vanessa Grazziotin (PCdoB) e o já falecido Arthur Bisneto (PSDB)? Todos foram campeões de votos em eleições para deputado federal desde o início do século, mas hoje não conseguem se eleger para a Câmara Municipal de Manaus (CMM), onde todos começaram as carreiras.
Essas trajetórias são ainda um alerta para o deputado federal Amon Mandel (Cidadania), o mais votado proporcionalmente do Brasil em 2022, e para o vereador Sargento Salazar (PL), apontado como o próximo campeão de votos para deputado federal.
Em meio a onda bolsonarista e anti-PT, de 2018, Zé Ricardo subiu na kombi de Praciano e conseguiu o feito de ser o mais votado da eleição ao obter a preferência de 197.270 amazonenses (11,9% dos votos válidos). Quatro anos depois a votação dele caiu para menos da metade (89.017) e o campeão não se reelegeu. Hoje Zé Ricardo sequer cogita deixar o posto na CMM e deve tentar uma vaga na Assembleia Legislativa (Aleam).
Representando uma das famílias mais tradicionais da política amazonense, Arthur Virgílio do Carmo Ribeiro Bisneto (PSDB) foi o político mais votado da história do Amazonas para a Câmara Federal em 2014, ao conseguir 250.916 votos (15,3%). Quatro anos depois, Bisneto saiu da política e morreu em Manaus, prematuramente, aos 44 anos, em maio de 2024.
Em 2010, no auge da popularidade do petismo, o eleitorado amazonense enviou a Brasília, como o mais votado, o ex-vereador Francisco Praciano, que obteve 166.387 votos (9,58% dos votos válidos). Aquela foi sua última vitória eleitoral. Posteriormente, ele tentou se eleger senador, em 2014, quando recebeu cerca de 550 mil votos, mas foi derrotado por Omar Aziz (PSD), que ficou com a única vaga em disputa, e deputado estadual, em 2022, quando obteve 12.073 votos, também sem sucesso.
Na eleição de 2006, o deputado federal mais votado no Amazonas foi o apresentador de programas policiais Carlos Souza, que também tinha origem na CMM. Souza, que fazia dobradinha com o irmão Wallace, obteve 147.212 votos, o que representou 10,57% dos votos válidos.
Carlos buscou um novo mandato de deputado federal em 2010, após uma breve passagem como vice-prefeito de Manaus. Com um grande recall gerado pela agonia e morte do irmão, Wallace, em julho de 2010, Carlos se reelegeu com 112 mil votos, 7,3% dos válidos. Foi a última vitória de um integrante do clã Souza. Hoje Carlos está fora da política.
Na eleição de 2002, o grande fenômeno foi Vanessa Grazziottin (PCdoB), que também iniciou carreira na Câmara Municipal de Manaus e naquele pleito buscava um novo mandato em Brasília. Vanessa obteve 197.419, o que representou 17,18% dos votos válidos. Proporcionalmente, até hoje, é a maior proporção de votos dados pelos amazonenses a um candidato a deputado federal.
Posteriormente, Vanessa foi senadora embalada pelas boas gestões petistas de Lula 1 e Lula 2 e os votos de 672.920 mil amazonenses. Em 2018 ela teve 373.948 mil votos e ficou atrás de Plínio Valério, Eduardo Braga, Luiz Castro e Alfredo Nascimento. Atualmente não cogita voltar a disputar uma eleição.
Saiba mais:
Bancada do Amazonas no Congresso ajuda a passar projetos contrários aos interesses do Governo Lula
Senado também teve campeão que desapareceu
Na eleição majoritária de 2006, o então ministro dos Transportes do governo Lula 1 (2003-2006), Alfredo Nascimento (PL), se elegeu Senador ao superar políticos de peso do Amazonas, como o três vezes governador e ex-senador Gilberto Mestrinho (MDB), o várias vezes deputado federal Pauderney Avelino (PFL), o hoje senador Plínio Valério (PV) e o então vereador em Manaus e ex-deputado federal Mário Frota.
Alfredo obteve a vitória com 629.606 votos, 47,49% do total de votos válidos. Foi a maior votação dada a um político do Amazonas para o Senado Federal até então. Oito anos depois, sem chances de reeleição, Alfredo conquistou um mandato de deputado federal.
Em 2018 tentou voltar ao Senado, mas com 569.766 mil votos não se reelegeu. Dois anos depois tentou a Prefeitura de Manaus, mas ficou em sétimo lugar com pouco mais de 31 mil votos. Em 2022 tentou se eleger deputado federal, mas ficou com a primeira suplência do PL ao obter pouco mais de 46 mil votos.
Para 2026, Alfredo conta com uma “supervotação” do vereador Sargento Salazar e assim pegar uma carona e conseguir voltar à Brasília.






