Os sinais políticos deixados pela convenção de David Almeida

A convenção que homologou a candidatura de David Almeida (Avante) ao Governo do Amazonas, nesta quinta-feira (23), foi mais do que um ato formal de campanha. O evento serviu para que o ex-prefeito enviasse uma série de sinais políticos a aliados, adversários e eleitorado.
Entre esses recados, destacaram-se a capacidade de mobilização, a apresentação de parte das bandeiras da campanha, o reforçou da parceria com o prefeito Renato Junior, inclusive deixando para ele a escolha do nome que irá substituir o de Marcos Rotta na vaga de candidato ao Senado, após sua desistência na corrida eleitoral por um problema de saúde do pai que mora no Paraná.
Esse, talvez tenha sido um dos gestos mais importantes no evento, pois amplia o protagonismo de Renato Junior dentro do Avante e reforça sua posição como principal aliado político de David na disputa pelo Governo.
Outro movimento com muito simbolismo político no palanque da convenção do Avante, girou em torno da ex-secretária municipal de Saúde, Shádia Fraxe, que foi a escolhida para ser a vice de David Almeida. Ela deverá assumir o papel de porta-voz da área da saúde, um dos principais alvos das críticas de todos os candidatos opositores ao governo estadual.
Shádia Fraxe defendeu investimentos para os profissionais da saúde caso a chapa seja eleita, afirmando que pretende estender à esfera estadual a melhoria registrada na saúde municipal.
Falas e presenças na convenção
O Avante foi o primeiro partido a realizar convenção estadual no Amazonas neste ciclo eleitoral, abrindo o calendário de homologações que se estende até 5 de agosto.
A presença do presidente nacional do partido, Luís Tibé, de prefeitos, vereadores e lideranças do interior também serviu para reforçar a imagem de um partido estruturado para a disputa estadual, um dos objetivos centrais da convenção.
Outro recado veio da formação da chapa proporcional. A participação de cerca de 25 vereadores de Manaus, sendo sete pré-candidatos à Assembleia Legislativa, indica que o Avante aposta em ampliar sua bancada estadual para dar sustentação política a um eventual governo David Almeida.
Durante o discurso, David buscou nacionalizar a experiência da Prefeitura de Manaus e apresentá-la como modelo para todo o Amazonas. O candidato concentrou as promessas em temas de forte apelo popular, como saúde, assistência social e infraestrutura. Entre as propostas, anunciou a intenção de ampliar o Auxílio Estadual Permanente de R$ 150 para R$ 300 e prometeu zerar a fila do SISREG no estado.
Críticas aos adversários
No discurso, Almeida dirigiu críticas aos adversários, como o ex-governador Wilson Lima e o governador Roberto Cidade, ambos do União Brasil. Ele afirmou que fará pelo Amazonas o que fez por Manaus enquanto prefeito, contrapondo sua gestão municipal à atual administração estadual.
Já Renato Junior, ao discursar, reforçou as críticas contra a situação da saúde pública estadual, mencionando corredores de hospitais lotados e as filas do SISREG como justificativa para a necessidade de mudança no comando do estado.
Mas o ato de Renato Junior que mais chamou a atenção não veio do discurso inflamado, mas das lágrimas que copiosamente verteu durante o discurso de David, que enumerou as lutas que travou ao longo da carreira e as comparou com as lutas do rei bíblico Davi, que inspirou o pai a batizá-lo com este nome.
“Após derrotar urso, leão, o gigante (Golias) em nome do rei Saul, Davi acabou na caverna de Adulão, onde só foi visitado por seus mais fiéis. Eu estou, desde que saí da prefeitura, na caverna de Adulão”, disse David Almeida que olhava o prefeito aos prantos no palco.





