Fim da ZFM pode esvaziar Manaus e aumentar migração no Norte a outras regiões

As declarações do pré-candidato à Presidência Renan Santos, do Missão, e de seu virtual vice, Kim Kataguiri, em defesa do fim dos incentivos fiscais da Zona Franca de Manaus (ZFM), colocam em discussão uma consequência que vai além da economia: o risco de um êxodo de trabalhadores do Norte para outras regiões do país.
O debate costuma se concentrar na viabilidade do modelo e nas alternativas para a economia amazonense. Mas, se a retirada dos incentivos provocar a saída de indústrias, a questão será também o que fazer com milhares de trabalhadores que dependem direta ou indiretamente do Polo Industrial de Manaus.
O PIM reúne mais de 550 indústrias, empregou em média 131 mil trabalhadores diretos nos primeiros meses de 2026 e faturou R$ 142,98 bilhões entre janeiro e julho, segundo a Suframa. É uma estrutura econômica que não seria substituída de forma imediata por novas atividades.
O economista Altamir Cordeiro alerta justamente para esse efeito social. Para ele, uma mudança sem transição poderia provocar um grande deslocamento populacional.
“O risco de mexer nos incentivos do PIM provocaria um êxodo enorme, criando um vazio em Manaus e, consequentemente, um grande problema social.”

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Renan Santos chamou a ZFM de “irracionalidade atroz”. Kataguiri, por sua vez, afirmou que, quando fala em acabar com a Zona Franca, “é de fato acabar”. Entre as alternativas citadas está o investimento em áreas como biotecnologia e biomedicina.
O problema é que uma eventual mudança não acontece no papel. Ela atinge pessoas, empregos e cidades. Sem uma transição capaz de criar novas oportunidades na mesma proporção, trabalhadores podem buscar sobrevivência em outras regiões.
Nesse cenário, Manaus esvaziada não significa necessariamente um problema resolvido. Pode significar apenas um problema transferido. Os incentivos da ZFM têm vigência garantida até 2073.





