Marília Freire busca recolocar a esquerda e as mulheres por vaga na Câmara Federal

A candidatura de Marília Freire pelo PCdoB representa mais do que a aposta de um partido tradicional da esquerda. Ela surge em um momento em que o campo progressista enfrenta dificuldades para manter protagonismo no Amazonas e, ao mesmo tempo, em que o estado não possui mulheres na bancada federal.
Nos últimos anos, partidos nacionais de grande porte, como o PT, perderam espaço político no Amazonas. A esquerda continua presente em movimentos sociais e sindicais, mas tem encontrado dificuldades para converter essa militância em mandatos proporcionais competitivos. Nesse cenário, o PCdoB tenta retomar o espaço que ocupou quando elegeu Vanessa Grazziotin, única mulher da esquerda amazonense a chegar ao Senado e deputada federal por três mandatos consecutivos.
Marília é negra, feminista, servidora pública, psicóloga, advogada e militante dos direitos das mulheres. Segundo o partido, sua candidatura busca ampliar a participação feminina e da esquerda na representação do Amazonas em Brasília.
O desafio, entretanto, vai além da identidade política.
Representatividade não garante votos
As mulheres representam a maioria do eleitorado brasileiro e também do eleitorado amazonense, mas isso nunca significou automaticamente maior votação em candidatas. Nas últimas eleições, o Amazonas repetiu um padrão nacional: poucas mulheres conseguiram transformar representatividade social em representação política. A disputa para a Câmara costuma privilegiar candidatos com maior estrutura financeira, redes municipais consolidadas e alianças partidárias robustas.
Segundo Marília Freire, sua candidatura prioriza temas como proteção das mulheres, infância, combate às desigualdades, povos indígenas, comunidades ribeirinhas e acesso à Justiça.
“Eu vim da beirada, da luta dos movimentos sociais, pelos direitos das mulheres, crianças e contra todas as vulnerabilidades que a sociedade insiste em invisibilizar.”
Ela também afirma que pretende construir uma candidatura coletiva.
“Essa candidatura não é sobre mim. É sobre toda a diversidade de mulheres amazônicas, sobre as infâncias, ribeirinhas, urbanas, indígenas e quilombolas, e sobre todas as pessoas que a política deixa de fora.”
Os desafios da disputa
O PCdoB já não possui o mesmo peso eleitoral que teve no período em que Vanessa Grazziotin liderava o partido no estado. Além disso, a fragmentação da esquerda pode dividir votos entre candidaturas da federação e de outras legendas progressistas. A disputa proporcional também exige uma nominata competitiva e um desempenho coletivo da legenda ou federação, fator que muitas vezes pesa mais do que a votação individual.
Caso seja eleita, Marília poderá contribuir para ampliar a representação feminina do Amazonas na Câmara dos Deputados, que atualmente não conta com mulheres entre seus representantes. Para isso, porém, a candidatura precisará alcançar votação suficiente dentro da federação e disputar espaço em um cenário de forte concorrência pelas vagas do estado.





