PL do Amazonas vive racha interno às vésperas do primeiro turno

A 27 dias do primeiro turno, o Partido Liberal (PL) deveria estar vivendo um dos melhores momentos de sua trajetória no Amazonas. O partido tem Professora Maria do Carmo na disputa pelo governo, Alberto Neto entre os principais nomes ao Senado e Sargento Salazar como candidato a deputado federal com potencial para puxar outros nomes da legenda.
Nos bastidores, porém, a formação da chapa colocou em lados opostos duas alas: uma mais política, comandada pelo presidente estadual Alfredo Nascimento, e outra mais isolacionista, liderada por Maria do Carmo e militantes ligados à segurança pública.
A tensão, que parecia pacificada após a convenção, voltou a explodir nas últimas semanas, com troca de acusações e disputas na Justiça Eleitoral.
O novo episódio começou com o Delegado Costa e Silva, que acusou Alfredo de manipular recursos do Fundo Eleitoral para beneficiar a si próprio, Salazar e Kidson Maia, em prejuízo dos demais candidatos e, principalmente, das mulheres.
Segundo ele, cerca de R$ 3 milhões teriam sido destinados às campanhas de Alfredo e Salazar, enquanto ele e candidatas receberam R$ 50 mil. Costa e Silva também explorou o passado de Alfredo ligado ao PT, numa tentativa de desgastá-lo perante o eleitorado bolsonarista.
Alfredo não respondeu publicamente, mas seus advogados acionaram o TRE-AM para retirar os vídeos do ar, alegando atribuição de ilegalidades sem provas.
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O embate expõe uma contradição. Costa e Silva já sabia que Alfredo e Salazar eram candidatos prioritários do PL para a Câmara Federal quando aceitou disputar a eleição pela legenda.
Também conhecia a trajetória política de Alfredo e a própria história do presidente nacional do partido, Valdemar da Costa Neto. Por isso, a crítica ao passado de Alfredo perde força dentro da lógica que levou Costa e Silva a entrar no PL.
Ao mesmo tempo, Alfredo aceita no partido políticos como Costa e Silva, conhecendo o radicalismo deles e a disposição para confrontar os planos da legenda. Todos fazem parte do mesmo pacote político construído em torno de Jair Bolsonaro, que levou ao PL nomes eleitoralmente competitivos, como Salazar.
No fim, a disputa interna esbarra em um interesse comum: a eleição de deputados federais. Quanto maior a bancada na Câmara, maior a participação do partido nos recursos dos Fundos Partidário e Especial de Campanha Eleitoral nos anos seguintes.
Enquanto as alas do PL disputam espaço dentro da própria chapa, a legenda tem um objetivo maior em jogo: eleger o maior número possível de deputados.





