Kim Kataguiri revela plano de Renan Santos para acabar com ZFM: “Política mal-sucedida”

O deputado federal Kim Kataguiri (Missão-SP) detalhou, nesta segunda-feira (21/9), em entrevista ao programa C-Level, da Folha de S.Paulo, a proposta do partido para o modelo da Zona Franca de Manaus (ZFM). A declaração reforça críticas já feitas pelo candidato à Presidência da República Renan Santos (Missão) ao modelo de incentivos fiscais da região.
Segundo Kataguiri, a política adotada na ZFM é “mal-sucedida” porque afasta a produção tanto dos insumos quanto do mercado consumidor. O deputado descreveu uma cadeia logística que envolve o transporte da mercadoria por caminhão e embarcação em múltiplas etapas, de ida e de volta, até chegar ao consumidor final.
Para o parlamentar, essa distância, somada à infraestrutura considerada precária, resulta em ineficiência subsidiada pelo Estado, o que encarece o produto final. Kataguiri defendeu que a região teria mais a ganhar com investimentos em biotecnologia e biomedicina, setores que classificou como vocação regional de Manaus, em vez de indústrias automobilística e de bebidas.
Transição gradual da Zona Franca de Manaus
Questionado sobre se o fim da ZFM seria imediato, Kataguiri afirmou que haveria um período de transição, sem demissões abruptas. Segundo ele, a proposta é substituir gradualmente o que chamou de “subsídio à ineficiência” por um novo modelo econômico voltado à ciência e à tecnologia.
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O deputado disse que o dinheiro arrecadado com impostos sobre o consumo, pago principalmente pela população de menor renda, hoje financia um produto mais caro e menos competitivo do que os fabricados em outras regiões do país ou no exterior. Para ele, a manutenção desse formato prejudica a competitividade da indústria nacional como um todo.
“Não faz sentido fazer moto num lugar logisticamente distante”
A fala de Kataguiri ocorre após declarações anteriores de Renan Santos sobre o mesmo tema. Em sabatina à CNN Brasil, no dia 17 de setembro, o candidato havia afirmado que a empresa Honda teria R$ 16 bilhões em renúncia fiscal na Zona Franca, valor que classificou como “um absurdo” e que, segundo ele, “cruza qualquer limite”. Esse número não foi confirmado como dado oficial da Suframa.
“Vá fazer moto em São Paulo, em Minas, vá fazer na Bahia, onde tem mercado consumidor. Não faz sentido fazer num lugar que é logisticamente distante, a gente tem que pagar pra fingir que tá produzindo lá”.
Já em agosto, em sabatina promovida pelo G1 e pelo O Antagonista, Renan Santos já havia defendido uma reavaliação do modelo adotado em Manaus, ao argumentar que o volume de benefícios concedidos não seria compatível com os resultados gerados.





