Gilmar Mendes chama de “bug” filiação de Flávio Bolsonaro ao Missão

O ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), classificou nesta sexta-feira (14) como uma “pane” e um “bug” o registro que fez o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, aparecer temporariamente como filiado ao partido Missão. A declaração foi dada em entrevista ao programa TMC 360.
Ao comentar o episódio, Gilmar afirmou que o caso não deve ser usado para colocar em dúvida a confiabilidade do sistema eleitoral brasileiro. O ministro destacou que problemas relacionados a sistemas eletrônicos podem ocorrer e comparou a situação a uma “pegadinha”.
“Acho que foi uma pane mesmo, alguma coisa indevida que nada tem a ver com a integridade do nosso sistema eleitoral. Todos nós estamos suscetíveis a essas armadilhas que a eletrônica nos prega”, disse.
Na sequência, Gilmar acrescentou: “Os jovens diriam: ‘Isso foi uma pegadinha, né?’ Um bug.”
O ministro reforçou ainda sua defesa do sistema eleitoral brasileiro ao afirmar: “Nós temos o sistema mais confiável do mundo.”
O que aconteceu com a filiação de Flávio
Flávio Bolsonaro apareceu no sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) como filiado ao Missão, legenda ligada ao MBL, embora sua filiação partidária seja pelo PL. A alteração ocorreu justamente em meio ao processo de registro da candidatura presidencial e gerou um impasse para a formalização da chapa.
O TSE informou que o episódio não foi provocado por um ataque hacker. Segundo a Corte, a alteração ocorreu por meio do uso indevido da ferramenta por alguém que possuía credenciais da legenda para realizar filiações.
Diante do caso, o presidente do TSE, ministro Kássio Nunes Marques, determinou a suspensão temporária do processamento de novas filiações no sistema Filia, medida adotada para evitar novas tentativas de registros indevidos enquanto o episódio é investigado.
A filiação de Flávio ao PL foi posteriormente restabelecida, o que permitiu o andamento do registro de sua candidatura à Presidência.
Caso também envolveu tentativa de alteração na filiação de Lula
O episódio não ficou restrito ao candidato do PL. O TSE também identificou uma tentativa de alterar a filiação partidária do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Nesse caso, porém, a mudança não chegou a ser efetivada.
A ocorrência levou a Justiça Eleitoral a ampliar as providências de investigação e a suspender temporariamente o processamento de novas filiações.
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Missão diz ter sido vítima de fraude
Como resultado, o partido Missão afirmou que também foi vítima da tentativa de filiação fraudulenta e negou ter interesse em filiar Flávio Bolsonaro à legenda. A sigla informou que acionou formalmente o TSE e que pretende colaborar com as investigações, inclusive fornecendo registros e informações técnicas.
O caso passou a ser investigado para identificar quem utilizou as credenciais que permitiram o registro. Segundo informações divulgadas nesta sexta-feira, autoridades já teriam identificado um dirigente do Missão como possível responsável pela operação, com informações sobre local de acesso, horário e registros eletrônicos encaminhadas para investigação. A apuração ainda precisa determinar a autoria e as circunstâncias da alteração.
Flávio Bolsonaro, por sua vez, afirmou que seu gabinete recebeu mensagens relacionadas à filiação e inicialmente interpretou os e-mails como spam.
Gilmar tenta separar episódio da segurança das urnas
Ao classificar o caso como um “bug”, Gilmar Mendes procurou diferenciar a ocorrência no sistema de filiação partidária de uma eventual falha na votação eletrônica.
Para o ministro, o episódio não representa, por si só, comprometimento da integridade do sistema eleitoral. A declaração ocorre em um momento de forte disputa política em torno da confiabilidade das instituições eleitorais e a poucos dias do início oficial da campanha para as eleições de 2026.





