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Em artigo no New York Times, Lula critica ações dos EUA na Venezuela

O presidente brasileiro alerta para riscos do uso da força, cobra fortalecimento do multilateralismo e afirma que o futuro venezuelano deve ser decidido por seu povo
18/01/26 às 12:13h
Em artigo no New York Times, Lula critica ações dos EUA na Venezuela

(Foto: reprodução)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) publicou neste domingo (18/1) um artigo de opinião no jornal The New York Times sobre os recentes bombardeios dos Estados Unidos em território venezuelano e a captura do presidente do país representam mais um episódio de enfraquecimento do direito internacional e da ordem multilateral construída após a Segunda Guerra Mundial. As declarações foram feitas em artigo no qual o chefe do Executivo brasileiro aborda os impactos de ações unilaterais sobre a estabilidade global.

No texto, Lula critica o uso recorrente da força como instrumento para resolver disputas internacionais e avalia que essa prática compromete a paz, a segurança e a estabilidade no mundo. Segundo ele, o enfraquecimento da autoridade das Nações Unidas e do Conselho de Segurança ocorre quando normas internacionais passam a ser aplicadas de forma seletiva, o que fragiliza tanto os Estados quanto o sistema internacional como um todo.

O presidente reconhece que líderes de qualquer país podem ser responsabilizados por violações à democracia e aos direitos fundamentais, mas ressalta que não cabe a um Estado assumir unilateralmente o papel de julgador de outro. De acordo com Lula, esse tipo de ação ameaça a estabilidade global, prejudica o comércio e os investimentos, aumenta o fluxo de refugiados e reduz a capacidade dos países de enfrentar o crime organizado e outros desafios transnacionais.

Lula também manifesta preocupação com o impacto dessas práticas sobre a América Latina e o Caribe, região que, segundo ele, busca a paz por meio da igualdade soberana entre as nações, da rejeição ao uso da força e da defesa da autodeterminação dos povos. No artigo, o presidente destaca que esta seria a primeira vez, em mais de 200 anos de história independente, que a América do Sul sofre um ataque militar direto dos Estados Unidos.


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Ao tratar do cenário regional, o presidente defende uma agenda positiva entre os países latino-americanos e caribenhos, voltada para a superação de diferenças ideológicas e para a obtenção de resultados pragmáticos. Entre as prioridades citadas estão a atração de investimentos em infraestrutura, a geração de empregos, o aumento da renda e a ampliação do comércio regional e internacional, além da cooperação no combate à fome, à pobreza, ao tráfico de drogas e às mudanças climáticas.

Sobre a Venezuela, Lula afirma que o futuro do país deve permanecer sob responsabilidade de seu próprio povo. Ele sustenta que apenas um processo político inclusivo, conduzido pelos venezuelanos, pode levar a uma solução democrática e sustentável, condição que considera essencial para o retorno seguro de milhões de venezuelanos que hoje vivem fora do país, incluindo os que estão acolhidos no Brasil.

O presidente também menciona o diálogo mantido com os Estados Unidos, destacando que Brasil e EUA são as duas democracias mais populosas do continente americano. Segundo Lula, a cooperação entre os dois países em áreas como investimentos, comércio e combate ao crime organizado é fundamental para enfrentar desafios comuns e promover a estabilidade no hemisfério.

 

 

 

*Com informações de New York Times.