Entenda como PF acessou celular bloqueado de Vorcaro e recuperou mensagens apagadas

Aparelho UFED da Cellebrite, usado para extrair informações de celulares (Foto: Divulgação/IGP-SC)
A Polícia Federal conseguiu acessar mensagens, contatos e outros dados armazenados nos celulares apreendidos do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, preso na última quarta-feira (4/3) durante a Operação Compliance Zero. Mesmo com os aparelhos bloqueados por senhas e mecanismos de segurança, a perícia digital forense permitiu a extração das informações.
De acordo com o perito digital forense Marcos Pitanga, as forças de segurança utilizam softwares avançados, como a ferramenta israelense Cellebrite, capazes de contornar os sistemas de proteção dos aparelhos. “A Polícia Federal possui ferramental, ferramentas forenses, os melhores do mundo para fazer esse tipo de análise. Existem ferramentas próprias para ultrapassar os mecanismos de segurança, como o identificador facial ou o PIN”, explica.
Cada modelo de celular apresenta desafios diferentes. “Tudo depende do tipo de aparelho, da marca, da versão do sistema operacional. O celular é um dos dispositivos mais difíceis de se fazer perícia forense, porque cada fabricante e cada versão conta uma história diferente”, afirma o especialista.
Após o desbloqueio, os peritos fazem uma cópia forense do conteúdo do dispositivo e analisam os dados com softwares específicos. É possível extrair conversas de aplicativos de mensagens, fotos, vídeos, áudios, registros de chamadas, geolocalização e até dados associados a imagens.
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Entre os dados recuperados pela investigação está a lista de contatos armazenada no aparelho de Vorcaro, que inclui números de autoridades dos Três Poderes.
Mesmo quando conversas são apagadas pelo usuário, a perícia pode recuperar parte do conteúdo. “Mesmo que a mensagem tenha sido apagada da interface do aplicativo, muitas vezes os registros continuam armazenados em bancos de dados internos ou áreas da memória do celular. A perícia consegue analisar esses vestígios e, em alguns casos, reconstruir o conteúdo”, explica Pitanga.
A PF também encontrou mensagens enviadas com visualização única, recurso que apaga o conteúdo após ser visualizado. “A gente consegue inclusive reviver aquelas mensagens de visualização única. Às vezes nem usando a ferramenta. Com outras metodologias forenses, conseguimos trazer de volta uma informação que foi apagada por visualização única. Dá mais trabalho, sim, mas é possível”, afirma o especialista.
A análise de celulares apreendidos depende de autorização judicial. Sem essa permissão, acessar o conteúdo de um aparelho pode configurar crime. Em operações com mandado de busca e apreensão, a Justiça normalmente autoriza a chamada extração forense dos dados.





