Moscas essenciais para a Amazônia podem desaparecer antes de serem conhecidas pela ciência

Foto: Divulgação/Fapeam
Um estudo publicado na revista científica Proceedings of the Royal Society B revela que moscas decompositoras da Amazônia, fundamentais para o equilíbrio dos ecossistemas, podem desaparecer antes mesmo de serem conhecidas pela ciência. A pesquisa analisou mais de 8 mil registros de ocorrência de insetos das famílias Calliphoridae, Mesembrinellidae e Sarcophagidae na Amazônia brasileira.
Conhecidas como moscas sarcosaprófagas, essas espécies utilizam matéria orgânica animal em decomposição e desempenham papel central na reciclagem de nutrientes, na saúde pública e até na ciência forense. Apesar da importância ecológica, o estudo mostra que o conhecimento sobre esses insetos é extremamente desigual no território amazônico.
Os dados indicam que cerca de 40% das áreas florestais apresentam probabilidade inferior a 10% de conhecimento científico sobre essas espécies. Em contrapartida, as coletas se concentram em regiões mais acessíveis, próximas a grandes rios, estradas e centros urbanos, onde há maior presença de pesquisadores e infraestrutura.
Para chegar a essa conclusão, os cientistas compararam os registros reais com um modelo matemático que simula uma “Amazônia idealmente amostrada”, na qual todas as áreas teriam a mesma chance de serem estudadas. O resultado evidenciou um forte viés: a acessibilidade é o principal fator que orienta o esforço de pesquisa.
Leia mais
Governo Lula vai financiar compra de aviões, mas quer aumento de 15% da aviação na Amazônia
Amazônia reúne quase 50% dos conflitos de terra no Brasil, aponta estudo
Regiões remotas e territórios quilombolas, muitas vezes entre as áreas mais preservadas da floresta, estão entre os menos estudados. Esse cenário cria um paradoxo: há mais informações sobre áreas já impactadas por atividades humanas do que sobre regiões ainda intactas.
Segundo os autores, essa lacuna pode comprometer políticas de conservação e aumentar o risco de extinção de espécies antes mesmo de sua descrição formal.
O estudo defende a ampliação de expedições científicas em áreas negligenciadas, o fortalecimento de redes de pesquisa e parcerias com comunidades locais, consideradas essenciais para o avanço do conhecimento e para a proteção efetiva da biodiversidade amazônica.
Com informações do Terra.





