Poluentes do ar ultrapassam limites e acendem alerta no Amazonas e em outros estados

Foto: Joédson Alves/Agência Brasil
A qualidade do ar no Brasil segue acima dos limites recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), e o cenário também preocupa no Amazonas. É o que mostra o Relatório Anual de Acompanhamento da Qualidade do Ar 2025, divulgado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), com dados consolidados de 2024.
Pela primeira vez, o documento considera os padrões estabelecidos pela resolução de 2024 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), que atualizou os limites nacionais de poluentes e definiu etapas de transição até que o país alcance os parâmetros recomendados internacionalmente.
Poluentes acima do limite
Segundo o relatório, a maior parte dos poluentes atmosféricos ultrapassou os limites intermediários definidos pelo Conama ao longo de 2024. Apenas o monóxido de carbono (CO) e o dióxido de nitrogênio (NO₂) se mantiveram, na maior parte do tempo, dentro da tabela de transição, embora com registros pontuais de excesso em alguns estados.
Entre os poluentes monitorados estão ozônio (O₃), monóxido de carbono (CO), dióxido de nitrogênio (NO₂), dióxido de enxofre (SO₂), material particulado fino (MP2,5) e material particulado inalável (MP10). As medições são feitas por estações espalhadas pelo país e alimentam o Sistema Nacional de Gestão da Qualidade do Ar (MonitorAr).
Embora o relatório destaque tendências mais acentuadas em estados do Sudeste e Sul, o Amazonas enfrenta desafios específicos, especialmente durante o período de estiagem, quando queimadas e incêndios florestais elevam significativamente a concentração de material particulado fino, o poluente mais associado a doenças respiratórias e cardiovasculares.
Monitoramento ainda enfrenta falhas
O relatório também aponta fragilidades na governança e no envio de dados pelos estados. Atualmente, o país conta com 570 estações de monitoramento da qualidade do ar, aumento de 19% em relação a 2023. No entanto, 21 estações não tiveram o status informado e 75 aparecem como inativas no sistema.
No Amazonas, especialistas alertam que a ampliação e a manutenção da rede de monitoramento são fundamentais para mensurar com precisão os impactos das queimadas urbanas e rurais, além da poluição gerada por veículos e atividades industriais na Região Metropolitana de Manaus.
As falhas no envio de informações podem gerar distorções na avaliação real da expansão da rede, já que nem todo acréscimo ou redução registrada significa, de fato, instalação ou desativação recente de estações.
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Desafios para o estado
O relatório recomenda o fortalecimento dos planos estaduais de gestão da qualidade do ar, com estratégias integradas de controle de emissões, elaboração de inventários e ampliação da rede de monitoramento.
Para o Amazonas, onde eventos extremos de seca têm se tornado mais frequentes e intensos, especialistas defendem ainda a criação de planos de contingência específicos para períodos críticos, quando há picos de poluição concentrados em poucos dias, situação comum durante a temporada de queimadas.
A consolidação da Política Nacional de Qualidade do Ar, criada em 2024, é vista como avanço na organização das informações e na coordenação entre União e estados. No entanto, ainda há lacunas, como a atualização do Programa Nacional de Controle da Qualidade do Ar (Pronar) e a definição clara de parâmetros para níveis críticos de poluição.
Enquanto os indicadores nacionais mostram tendência de aumento em diversos poluentes, o alerta se estende ao Amazonas, que precisa avançar na estrutura de monitoramento e na adoção de medidas preventivas para proteger a saúde da população, especialmente nos períodos de maior vulnerabilidade ambiental.
Com informações da Agência Brasil.





