Prisão de Maduro reacende debate sobre destino de sua fortuna bilionária

(Foto: Reprodução/CNN)
A prisão de Nicolás Maduro, após uma operação militar conduzida pelos Estados Unidos na madrugada de sábado (3/1), abriu um novo capítulo sobre o destino do patrimônio acumulado ao longo de anos pelo regime chavista. Com o presidente venezuelano sob custódia americana, autoridades avaliam agora o confisco de bens ligados a ele e a possibilidade de redirecionamento desses recursos à Venezuela, ainda que o processo seja considerado longo, complexo e sujeito a disputas judiciais que podem se arrastar por décadas.
Oficialmente, a fortuna declarada de Maduro é estimada em até US$ 3 milhões (mais de R$ 15 milhões), valor calculado a partir de seu salário presidencial e de ativos informados publicamente. Especialistas, no entanto, apontam que esse montante pode representar apenas uma fração de sua real riqueza. Investigações indicam que líderes acusados de corrupção e narcotráfico costumam ocultar patrimônio em nome de familiares, por meio de empresas de fachada, contas offshore e até criptomoedas.
O patrimônio da primeira-dama Cilia Flores, por exemplo, é estimado entre US$ 2 milhões e US$ 5 milhões. Desde 2024, autoridades americanas já apreenderam cerca de US$ 700 milhões (R$ 3,5 bilhões) em ativos de luxo associados a Maduro, incluindo imóveis, iates, veículos de alto valor, joias e até um haras. Parte dessas ações teve como objetivo desmontar as redes financeiras que sustentavam o regime chavista.
Caso Maduro seja condenado pelas acusações de narcoterrorismo, a legislação dos Estados Unidos permite a ampliação do confisco. O país dispõe de instrumentos legais para apreender bens ligados a crimes como tráfico internacional de drogas e corrupção, incluindo confisco civil e criminal, sanções econômicas aplicadas pelo Office of Foreign Assets Control (OFAC) e leis federais voltadas ao combate ao narcotráfico. Embora a Lei Magnitsky não tenha sido aplicada diretamente a Maduro, há um regime de sanções específico direcionado à Venezuela.
Ativos sob jurisdição americana ou que transitaram pelo sistema financeiro dos EUA podem ser congelados e apreendidos, como já ocorreu em outros casos envolvendo autoridades venezuelanas sancionadas. O governo Donald Trump citou o tema ao comentar a captura de Maduro, mencionando petróleo e ativos considerados “roubados” durante o processo de nacionalização promovido pela chamada revolução bolivariana.
Há também a possibilidade de que parte dos recursos apreendidos retorne à Venezuela, embora sob supervisão dos Estados Unidos. Trump afirmou que empresas americanas do setor de petróleo poderiam investir bilhões de dólares na reconstrução da infraestrutura venezuelana, com uma gestão temporária conduzida pelos EUA. Nesse cenário, ativos confiscados e receitas do petróleo poderiam ser destinados à ajuda humanitária, ao fortalecimento de instituições democráticas ou à recuperação econômica, mediante aprovação do Congresso americano.
Propostas semelhantes já foram discutidas no parlamento dos EUA, como a Preserving Accountability for National Assets Act, conhecida como “lei PANA”, que prevê a criação de um fundo com mais de R$ 20 bilhões em ativos oriundos da corrupção para reconstruir a economia venezuelana. O projeto, no entanto, segue parado em comissões.
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A recuperação integral desses ativos é considerada um dos maiores desafios do processo. Estimativas apontam que o total de recursos desviados pelo regime chavista possa chegar a US$ 64,6 bilhões (mais de R$ 300 bilhões), espalhados por pelo menos 31 países. Os EUA já buscam ordens de confisco que somam cerca de US$ 4 bilhões, mas enfrentam obstáculos como o sigilo bancário e a dificuldade de comprovar a propriedade dos bens.
Casos anteriores mostram que nem sempre o confisco resulta na devolução total dos recursos. Ditadores como Saddam Hussein, Muamar Kadafi e Manuel Noriega tiveram fortunas congeladas após suas quedas, mas grande parte dos valores nunca foi plenamente recuperada. A prisão de Maduro, portanto, marca apenas o início de uma longa disputa jurídica e política sobre o destino de um dos maiores patrimônios associados à corrupção na América Latina.
*Com informações Gazeta do Povo






