Vacina contra herpes-zóster pode reduzir risco de infarto e AVC? Entenda

A vacina recombinante contra o herpes-zóster foi associada a uma redução na ocorrência de problemas cardiovasculares em pessoas com 60 anos ou mais. O resultado faz parte de um estudo publicado na revista científica Nature Medicine, que acompanhou mais de 72 mil adultos durante sete anos.
A pesquisa, publicada em agosto de 2026, comparou dois grupos semelhantes, cada um com 36.460 participantes. O primeiro recebeu, em 2017, a antiga vacina de vírus vivo atenuado, enquanto o segundo foi imunizado em 2018 com a versão recombinante, tecnologia utilizada na Shingrix, após a mudança rápida do imunizante aplicado nos Estados Unidos.
Ao longo dos sete anos de acompanhamento, a vacina recombinante foi associada a uma redução de 9% na carga combinada de doença isquêmica do coração, insuficiência cardíaca e acidente vascular cerebral (AVC) isquêmico, quando comparada à formulação anterior.
Os pesquisadores também identificaram redução de 10% na carga de doença isquêmica do coração e de 12% na de insuficiência cardíaca, em homens e mulheres. Entre os participantes do sexo masculino, houve ainda diminuição de 12% na ocorrência de AVC isquêmico. Para fibrilação atrial, a redução observada foi de 7%.
Estudo não comprova relação de causa e efeito
Apesar dos resultados, os pesquisadores ressaltam que o levantamento é observacional e não permite afirmar que a vacina, por si só, evita doenças cardiovasculares. A metodologia adotada foi um “experimento natural”, no qual foram comparados adultos vacinados antes e depois da substituição da formulação usada nos Estados Unidos.
Essa estratégia diminui alguns vieses comuns em estudos que confrontam pessoas vacinadas e não vacinadas. Ainda assim, podem existir diferenças não identificadas entre os grupos. Por isso, os autores defendem a realização de ensaios clínicos randomizados e estudos sobre os possíveis mecanismos envolvidos.
Uma das hipóteses é que a vacina recombinante, por oferecer maior proteção contra o herpes-zóster, também diminua a inflamação provocada pela reativação do vírus varicela-zóster. Outra possibilidade é que o imunizante produza efeitos mais amplos sobre o sistema imunológico. Os benefícios cardiovasculares observados foram mais intensos nos primeiros anos e diminuíram ao longo do acompanhamento.
Leia mais:
Vacina contra a dependência da nicotina é desenvolvida no Brasil; veja como funciona
Fiocruz inicia estudo de nova vacina contra Covid-19
Quem pode receber a vacina
O herpes-zóster, conhecido popularmente como cobreiro, é provocado pela reativação do vírus varicela-zóster, o mesmo causador da catapora. A doença pode causar lesões dolorosas na pele e complicações como a neuralgia pós-herpética, caracterizada pela permanência da dor depois do desaparecimento das feridas.
No Brasil, a Sociedade Brasileira de Imunizações recomenda a vacina recombinante de rotina a partir dos 50 anos. Ela também é indicada, a partir dos 18 anos, para pessoas imunocomprometidas ou com risco aumentado de desenvolver herpes-zóster. O esquema normalmente prevê duas doses, com intervalo de dois meses.
A vacinação deve seguir avaliação profissional e não substitui os cuidados tradicionais para prevenir doenças cardiovasculares, como controle da pressão arterial, alimentação equilibrada, atividade física e acompanhamento médico.





