Por que as pessoas conversam menos? Psiquiatra explica

Nesta segunda-feira (28/9), o programa Conexão Onda, da Rede Onda Digital, entrevistou a psiquiatra Alessandra Pereira sobre por que as pessoas conversam menos. A médica comentou pesquisa da Universidade do Arizona que indica queda na quantidade de palavras faladas no dia a dia.
Segundo a especialista, a internet e as inteligências artificiais não devem ser tratadas como vilãs. “As telas não são as culpadas, mas tiveram grande influência”, afirmou. Ela citou também a perda de hábitos coletivos, como a refeição em família e a rotina matinal compartilhada.
Para a médica, gostar da própria companhia não é problema, desde que a pessoa não rejeite qualquer socialização. “Quando você ama a sua companhia, além de não ser problema, ainda é solução”, disse.
Ela acrescentou que a maturidade torna as pessoas mais seletivas com ambientes e com o excesso de ruído. Segundo a psiquiatra, esse movimento já existia entre gerações mais velhas, embora com menos intensidade.
O que se perde ao falar só por mensagem
Pereira afirmou que o uso excessivo de emojis e figurinhas reduz a fluência verbal e a velocidade de raciocínio. Segundo ela, o contato presencial envolve trocas de energia e a criação de memórias afetivas, o que não ocorre pelo celular.
A médica também alertou para a ansiedade digital, quando a pessoa sente necessidade de responder a notificações o tempo todo. “Isso é extremamente adoecedor”, declarou, criticando ainda o uso do celular durante encontros presenciais e recomendou pedir licença quando for preciso responder a alguém.
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Sinais de alerta
A psiquiatra explicou que a depressão nem sempre se manifesta com isolamento total. Segundo ela, muitos pacientes trabalham, batem metas e são premiados, mas não sentem prazer nem bem-estar. Para a médica, o sinal de alerta surge quando a pessoa não deseja mais estar com os outros porque nada tem graça.
Sobre os jovens, ela disse que os nativos digitais criam conexões em plataformas como o Discord. Isso, segundo ela, não significa que estejam certos, errados, doentes ou saudáveis, mas que o quadro precisa ser analisado caso a pessoa só encontre conforto no mundo virtual.
A psiquiatra defendeu o equilíbrio entre momentos de solitude e convivência. Segundo ela, gostar de ficar sozinho não significa abrir mão dos vínculos presenciais. “Ninguém dá abraço por tela”, afirmou.
Para Alessandra, manter momentos de conversa e convivência com familiares e amigos pode ajudar a preservar esses vínculos. Quando a dificuldade de se relacionar passa a causar sofrimento ou afastamento, a orientação é buscar acompanhamento psicológico ou psiquiátrico.





