Fumaça e calor de Manaus aumentam risco de problemas cardíacos, alerta cardiologista

O ar que os moradores de Manaus respiram neste período de estiagem não é apenas desconfortável, é um risco cardiovascular concreto. Para o cardiologista Aristóteles de Alencar Filho, a combinação de fumaça das queimadas e calor extremo compromete diretamente a saúde das artérias e aumenta o risco de eventos cardíacos graves, especialmente para quem trabalha horas seguidas nas ruas da cidade.
Segundo a Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM), entre 1º de julho e 22 de setembro, a rede estadual registrou 132 atendimentos por problemas respiratórios associados à inalação de fumaça, a maioria nos Serviços de Pronto Atendimento. Só em setembro foram 23 casos. Os sintomas relatados incluem tosse, falta de ar, dor no peito, tontura, náusea e cansaço. Este foi o sexto episódio severo de fumaça na capital em apenas 15 dias.
O sistema de monitoramento SELVA, da Universidade do Estado do Amazonas, registrou concentração de partículas finas acima de 580 µg/m³ em pontos da cidade, mais de três vezes o limite máximo da escala de referência do próprio sistema, e mais de 23 vezes o limite considerado saudável, que é de 25 µg/m³.
“A fumaça proveniente da combustão de biomassa contém material particulado que, ao ser absorvido pelo aparelho respiratório, cai na circulação e se deposita nas camadas internas das artérias”, explica Alencar Filho. “O mecanismo principal é a inflamação endotelial, a camada interna que reveste as artérias. Tudo é prejudicial”, disse.
Essa inflamação, somada ao esforço físico sob calor intenso, cria condições para eventos cardiovasculares agudos, como problemas cardíacos graves e parada cardíaca.

Sinais que não podem ser ignorados
Para quem trabalha exposto ao calor e à fumaça sobre uma moto, como mototaxistas e entregadores, o cardiologista é direto e afirma que “esses profissionais devem usar obrigatoriamente máscaras, que podem diminuir o contato da fumaça com o sistema respiratório.”
Quatro sinais exigem parada imediata e busca por atendimento médico: dificuldade para respirar, dor no peito, palpitações e tontura. A SES-AM aponta que os grupos mais vulneráveis são crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças respiratórias ou cardíacas preexistentes.

O que fazer para se proteger?
Para quem não pode deixar de trabalhar nas ruas de Manaus, Alencar Filho indica medidas práticas. “O principal é evitar exposição ao ar poluído”, disse. “Uso de máscara torna-se essencial. Tomar bastante líquido. Não fumar sob hipótese alguma”, afirmou.
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Para a população em geral, o médico reforça que não se deve praticar atividades físicas ao ar livre, principalmente os idosos. Em casos de sintomas leves, a orientação da Secretaria Municipal de Saúde é procurar uma unidade básica de saúde. Para sintomas mais graves, buscar um SPA. Em emergências, acionar o SAMU pelo 192.
O cardiologista lembra ainda que Manaus convive com um agravante além das queimadas. “Além da fumaça das queimadas, temos também a fumaça das descargas dos automóveis”, aponta. Segundo o mpedico, esses dois fatores que, somados ao calor, tornam o ar da cidade um risco permanente para quem circula pelas ruas neste período.





