Pernas inchadas podem esconder doença grave; até 8 milhões de brasileiras convivem com ela sem diagnóstico

Pernas pra cima pés pro alto retenção de líquido — Foto: Istock Getty Images
O inchaço nas pernas, mãos e tornozelos, muitas vezes chamado de retenção de líquidos ou edema periférico, pode ter causas variadas, desde consumo excessivo de sal até problemas renais, cardíacos ou vasculares. No entanto, uma condição crônica ainda pouco conhecida e frequentemente subdiagnosticada tem chamado atenção de especialistas no Brasil: o lipedema.
Dados de estudos publicados indicam que cerca de 12,3% das mulheres brasileiras entre 18 e 69 anos apresentam sinais compatíveis com lipedema, o que corresponderia a aproximadamente 8 a 8,8 milhões de brasileiras com sintomas sugestivos da doença, muitas sem diagnóstico formal.
O lipedema é uma doença crônica, inflamatória e predominantemente genética, que acomete quase exclusivamente mulheres, especialmente em fases de oscilação hormonal como puberdade, gravidez ou menopausa. Ele provoca acúmulo anormal de gordura subcutânea nos membros inferiores e, às vezes, nos braços, podendo ser acompanhado por dor, sensibilidade ao toque, aparecimento de manchas roxas e inchaço que não melhora apenas com dieta ou exercícios tradicionais.
Como aliviar o inchaço nos pés?
Para aliviar o inchaço nos pés, recomenda-se adotar alguns hábitos no dia a dia para estimular a circulação sanguínea. Dentre as principais temos:
Diminuir o consumo de sal
A ingestão de grandes quantidades de sal na alimentação pode causar inchaço nas pernas e isto ocorre porque o sal contém muito sódio que retém água e, por isso, se tiver em grandes quantidades no corpo, aumenta a retenção de líquidos.
Uma boa opção para evitar o acúmulo de líquido nas pernas é usar sal com baixo teor de sódio ou usar ervas aromáticas para reduzir o consumo do sal ou evitar adicionar sal às refeições.
Pernas para o alto
Coloque as pernas para o alto, o que favorece a circulação sanguínea e diminui a retenção. O ideal é elevá-las no final do dia por cerca de 15 minutos. Isso faz com que o líquido que se encontra no tecido entre para o vaso novamente, e de dentro do vaso, ganhe a corrente sanguínea, chegue até os rins para ser eliminado pela urina. Para quem trabalha sentado, outro conselho: Levantar a cada duas horas para caminhar e movimentar as panturrilhas com movimentos de extensão e flexão dos pés.
Vale ainda fazer drenagem linfática. Ela pode ser uma excelente aliada contra a retenção de líquidos ao ativar a circulação sanguínea, mas sempre com recomendação médica!
Tomar chás diuréticos
Alguns chás, como o chá de gengibre, o chá verde, o chá de salsinha ou o chá de cavalinha, por exemplo, possuem propriedades diuréticas naturais, além de ação antioxidante e anti-inflamatória, que ajudam a melhorar a má circulação e a eliminar o excesso de líquido que causa inchaço nas pernas.
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Sintomas que diferenciam lipedema de retenção de líquidos comum
Os sinais mais característicos incluem:
- acúmulo de gordura desproporcional em quadris, coxas e pernas com pouca ou nenhuma alteração nos pés;
- inchaço que tende a piorar ao longo do dia;
- dor e sensibilidade ao toque na área afetada;
- hematomas fáceis e celulite acentuada.
Esses sintomas contrastam com a simples retenção de líquidos, que pode ser aliviada por mudanças no estilo de vida, como aumento da ingestão de água, elevação das pernas ou massagens para melhorar a circulação, além da redução de sal.
Quando o inchaço nas pernas pode esconder algo mais sério
O inchaço também pode surgir por motivos comuns como má circulação, insuficiência venosa, problemas cardíacos ou renais, uso de certos medicamentos, entre outros. Nesses casos, “qualquer queixa de inchaço sempre deve ser investigada por um médico”, alertam especialistas, especialmente se vier acompanhada de dor, vermelhidão ou calor na pele.
Por sua vez, o lipedema muitas vezes é confundido com obesidade, linfedema ou simples acumulação de gordura, o que contribui para diagnósticos tardios ou errados. Ainda não existe um exame laboratorial específico. O diagnóstico é baseado na avaliação clínica e no histórico do paciente.
Tratamento e qualidade de vida
Embora o lipedema não tenha cura, o tratamento multidisciplinar pode reduzir sintomas, melhorar a qualidade de vida e incluir drenagem linfática, fisioterapia vascular, uso de meias de compressão e reeducação alimentar com foco anti-inflamatório. Em casos selecionados, técnicas como lipoaspiração especializada também podem ser consideradas.
O alerta de especialistas é claro: muitas mulheres convivem com o inchaço e a dor acreditando que se trata apenas de “pernas inchadas”, quando, na verdade, pode ser um quadro de lipedema. Procurar um médico para uma avaliação aprofundada é fundamental para diferenciar causas e definir o tratamento mais adequado.
*Com informações de Terra Brasil e Eu Atleta.





