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Moda sustentável da Amazônia ganha força e mira protagonismo global

Uso de fibras, corantes e valorização de comunidades tradicionais coloca a região no centro da bioeconomia e do debate internacional sobre clima e inovação
21/02/26 às 13:00h
Moda sustentável da Amazônia ganha força e mira protagonismo global

Foto: Divulgação/Secretaria de Cultura e Economia Criativa

A moda sustentável tem ganhado espaço na Amazônia ao unir geração de renda, valorização cultural e preservação ambiental. A proposta busca reduzir impactos ao longo da cadeia produtiva, da escolha da matéria-prima ao processo de fabricação, priorizando fibras naturais, técnicas tradicionais e uso consciente dos recursos.

Na região amazônica, iniciativas utilizam matérias-primas como curauá, juta e algodão orgânico, além de corantes naturais extraídos de espécies como urucum e jenipapo. De acordo com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), a bioeconomia e os produtos da sociobiodiversidade representam uma das principais estratégias de desenvolvimento sustentável para a Região Norte, integrando comunidades ribeirinhas, indígenas e agricultores familiares às cadeias de valor.

O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima destaca que o fortalecimento da bioeconomia é fundamental para conciliar a conservação da floresta com a geração de emprego e renda. A pasta aponta que atividades sustentáveis baseadas em recursos florestais não madeireiros, como fibras e extratos vegetais, ajudam a reduzir o desmatamento ao criar alternativas econômicas compatíveis com a manutenção da floresta em pé.

Além disso, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) reforça que o manejo sustentável e o uso legal de recursos naturais são essenciais para evitar a exploração predatória e garantir a rastreabilidade das cadeias produtivas.

Especialistas apontam que, ao combinar inovação, tradição e responsabilidade ambiental, a moda sustentável na Amazônia pode consolidar a região como referência internacional em design ecológico e bioeconomia, fortalecendo o protagonismo da região nas agendas globais de sustentabilidade.

Foto: Divulgação/Sebrae
Foto: Divulgação/Sebrae

Desafios

A moda sustentável tem avançado no Brasil, impulsionada por mudanças nos processos produtivos, desafios econômicos e pela transformação no perfil do consumidor. Para a consultora de moda e imagem pessoal Jessica Zany, três fatores principais explicam a adaptação das marcas ao novo cenário.

Foto: Arquivo Pessoal

O primeiro é a escolha de materiais mais responsáveis, como tecidos reciclados e matérias-primas de baixo impacto ambiental. Segundo ela, a substituição de insumos tradicionais por alternativas sustentáveis é um dos pilares para reduzir os danos ao meio ambiente ao longo da cadeia produtiva.

O segundo ponto envolve os desafios enfrentados pelo setor. “Todo o processo é mais caro para a empresa, para a loja e para a marca”, afirma, destacando que o custo elevado ainda limita a expansão do segmento.

Já em relação ao comportamento do consumidor, a consultora observa crescimento na disposição para pagar mais por peças produzidas com critérios socioambientais. Ela ressalta que o público jovem tem papel central nesse movimento, por ser mais informado e consciente sobre os impactos ambientais da indústria da moda. Esse grupo tende a priorizar peças de maior durabilidade e a reutilização de roupas, transformando e ressignificando itens que poderiam ser descartados.

Zany também aponta que a sustentabilidade pode ser aplicada no consumo individual. Na área de consultoria de imagem, ela incentiva clientes a comprarem menos e utilizarem melhor o que já possuem no guarda-roupa. A proposta é estimular novas combinações e releituras de peças existentes, reduzindo o consumo excessivo e promovendo um uso mais consciente da moda.


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COP-30

Durante a COP-30, realizada em Belém no mês de novembro do ano passado, diferentes setores econômicos, entre eles o da moda, tiveram espaço para apresentar soluções alinhadas à sustentabilidade e à agenda climática global.

Para a moda sustentável da Amazônia, o evento funcionou como uma vitrine internacional, permitindo que estilistas, marcas e artesãos da região exibissem suas criações a um público global, formado por líderes, especialistas e investidores.

Com o uso de fibras nativas e corantes naturais, produções amazônicas destacaram-se como alternativas criativas e ambientalmente responsáveis, o que reforça o potencial do setor como resposta aos desafios impostos pelas mudanças climáticas.

Entre esses empreendimentos, a marca paraense Amazônia Zen apostou na moda sustentável como vitrine para o mercado internacional. A empresa produz roupas e acessórios a partir de materiais reciclados e reaproveitados, com destaque para a criatividade e o compromisso ambiental dos empreendimentos amazônicos.

Criada por Adriele Sasaki, a marca defende a moda como ferramenta de transformação social e ambiental. Segundo a fundadora, o objetivo é deixar um legado de responsabilidade e inovação para as futuras gerações.

A realização da conferência climática em Belém marcou a ampliação da visibilidade de pequenos negócios da região.

O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) avalia que o evento representa uma oportunidade estratégica de desenvolvimento para empreendedores locais.

Com foco em reaproveitamento de materiais e redução de impactos ambientais, iniciativas como a Amazônia Zen reforçam o potencial da bioeconomia amazônica no cenário global.

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