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Um mês do naufrágio no Encontro das Águas: cinco pessoas seguem desaparecidas e piloto foragido

Três mortes foram confirmadas e cinco pessoas continuam desaparecidas após tragédia
13/03/26 às 11:34h
Um mês do naufrágio no Encontro das Águas: cinco pessoas seguem desaparecidas e piloto foragido

(Foto: Reprodução)

O naufrágio da lancha Lima de Abreu XV completa um mês nesta sexta-feira (13), mas a tragédia ainda não tem um desfecho para dezenas de famílias. A embarcação, que saiu de Manaus com destino ao município de Nova Olinda do Norte no dia 13 de fevereiro, naufragou nas proximidades do Encontro das Águas com cerca de 80 pessoas a bordo. Três mortes foram confirmadas e cinco pessoas continuam desaparecidas.

A força-tarefa montada pelo Governo do Amazonas segue atuando por tempo indeterminado. Nesta sexta, um efetivo de 17 militares, sendo 12 mergulhadores e duas embarcações, participa das buscas. Ao longo das últimas quatro semanas, os bombeiros já percorreram 238 quilômetros pelo Rio Amazonas, utilizando drones e sonar para leitura do leito do rio.

(Foto: Divulgação / CBMAM)

“Everest do mergulho”

O tenente Pinheiro, comandante do Grupamento de Operações Aquáticas do Corpo de Bombeiros, detalhou os desafios enfrentados pelas equipes. “A nossa região extrapola todo tipo de equipamento que a gente imagine. Eu tenho comparado o nosso ambiente como se fosse o Everest do mergulho, em relação às condições, não só de profundidade, mas de força, de correnteza, às mudanças climáticas que alteram muito o ambiente”, afirmou à Rede Onda Digital.

Segundo ele, o próprio naufrágio foi causado por um evento meteorológico adverso. “As equipes continuam lutando para conseguir chegar. A gente vai ter que criar novas técnicas, ampliar a capacidade de resposta do Corpo de Bombeiros, que foi desafiado por essa ocorrência.”

Uanderson Campos, sobrevivente do naufrágio (Foto: Rede Onda Digital)

Sobrevivente relata quase morte

Uanderson Campos, um dos sobreviventes, relembrou os momentos de tensão extrema que viveu enquanto lutava para não morrer afogado. Em entrevista, ele contou como passou por debaixo da embarcação que tentava resgatá-lo e chegou a duvidar se ainda estava vivo.

“Eu boiei do outro lado do bote, uns 15, 20 metros de distância. Eu passei por baixo dele. Minha família tinha conseguido subir. Mas eu já estava desesperado porque eu tinha passado por baixo. Eu olhava e não tinha nem acreditado que eu estava vivo. Até teve um momento que eu bati no meu rosto: será que eu estou vivo mesmo?”, relatou à Rede Onda Digital.

Tenente Pinheiro, comandante do Grupamento de Operações Aquática do Corpo de Bomebeiros Militar do Amazonas (CMBAM) (Foto: Rede Onda Digital)

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Ele conta que ficou cerca de uma hora na água até ser resgatado. “Quando eu subi, desmaiei. Eu estava tão fraco, tinha bebido tanta água, que eu não consegui ficar em pé, só caí. Vomitei muita água.”

Uanderson também chamou atenção para a ausência de coletes infantis na embarcação. “Não lembro de ter visto um único colete infantil. Tinham muitas crianças a bordo. Um bebê recém-nascido, minha filha, meu filho, outra criança de colo. No mínimo, umas dez crianças com menos de 10 anos. Nenhuma delas tinha colete adequado.”

As vítimas e o bebê resgatado em cooler

Entre as vítimas fatais estão Samila de Souza, de 3 anos, Lara Bianca, de 22 anos, e o cantor gospel Fernando Grandêz, de 39 anos. Os corpos de Samila e Lara foram encontrados horas após o naufrágio. Fernando foi localizado três dias depois.

(Fotos: Reprodução)

Um dos episódios que mais chamou atenção durante o resgate foi o salvamento de um bebê prematuro de apenas cinco dias de vida, colocado dentro de um cooler para evitar que tivesse contato direto com a água. Familiares colocaram a criança dentro do recipiente, que ficou à deriva até ser encontrado por equipes de resgate. A mãe do bebê também foi salva.

Piloto segue foragido

O piloto da embarcação, Pedro José da Silva Gama, de 42 anos, foi detido inicialmente, mas liberado após pagar fiança. No dia seguinte, a juíza Eliane Gurgel do Amaral Pinto decretou sua prisão preventiva, mas ele não foi localizado desde então e segue foragido. A empresa Lima de Abreu Navegações afirmou que a embarcação estava regularizada e que colabora com as investigações.

(Foto: Reprodução)

O Governo do Amazonas disponibiliza atendimento psicológico aos sobreviventes e familiares pelo telefone (92) 99489-8454. As causas do acidente seguem sob investigação.

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