Hantavírus pode virar um surto global? Veja tudo que se sabe sobre a doença

A Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou ao menos três mortes associadas a um possível surto de hantavírus em um cruzeiro no Oceano Atlântico. O navio MV Hondius fazia a rota entre a Argentina e Cabo Verde quando os casos foram registrados.
O assunto acabou gerando comoção, uma vez que o surto foi comparado ao início do surto que deu início a pandemia de covid-19 em 2020. Apesar da semelhança, a OMS não vê relação entre os dois casos. Em entrevista à agência France Press, o diretor-geral da entidade, Tedros Adhanom Ghebreyesus, declarou que o risco de disseminação global é considerado baixo.
O navio MV Hondius, de bandeira holandesa, entrou em alerta internacional após a confirmação de três mortes entre passageiros com suspeita da doença. A embarcação partiu de Ushuaia, na Argentina, em 1º de abril, para uma viagem pelo Oceano Atlântico, e segue ancorada na costa de Cabo Verde desde domingo. Segundo a OMS, três casos da cepa Andes do hantavírus já foram confirmados a bordo.
O que é o hantavírus?
O hantavírus é uma doença rara, geralmente transmitida por roedores infectados, por meio da urina, fezes ou saliva. No entanto, a variante Andes possui potencial de transmissão entre humanos. Apesar do monitoramento internacional e de reuniões para coordenar ações de resposta, Tedros afirmou que, até o momento, a OMS não considera necessário convocar um comitê de emergência.
Segundo a OMS, há um caso confirmado da infecção e outros cinco suspeitos em investigação. As autoridades informaram que análises laboratoriais e apurações detalhadas seguem em andamento para esclarecer a origem e a extensão do surto.

O hantavírus é transmitido principalmente por roedores, com contaminação humana ocorrendo pela inalação de partículas contaminadas por urina, fezes ou saliva desses animais. Em casos mais raros, a transmissão pode ocorrer por mordidas ou arranhões.
Leia mais
Tinitus: quando o zumbido no ouvido vira sinal de alerta
Tem mofo em casa? Saiba os riscos e como evitar o problema
A infecção pode causar doenças graves, como a Síndrome Pulmonar por Hantavírus, que apresenta sintomas iniciais semelhantes aos de uma gripe, mas pode evoluir para insuficiência respiratória, com taxa de mortalidade de cerca de 38%. Outra forma da doença é a febre hemorrágica com síndrome renal, mais comum na Europa e na Ásia, que afeta principalmente os rins.
No Brasil, a doença se manifesta como Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus. De acordo com o Ministério da Saúde, o país registrou mais de 2,3 mil casos entre 1993 e 2024, com cerca de 900 mortes no período, a maioria em áreas rurais.
Não há tratamento específico para o hantavírus. O atendimento é voltado ao controle dos sintomas e pode incluir suporte respiratório e internação em casos graves. Autoridades de saúde recomendam evitar contato com roedores e adotar medidas de prevenção, como vedação de ambientes e uso de proteção ao lidar com possíveis focos de contaminação.
(*)Com informações do Terra e G1





