Cansaço e falhas de memória: deficiência de vitamina B12 pode passar anos sem diagnóstico

A vitamina B12 é essencial para o funcionamento do cérebro, da produção das células do sangue e do sistema nervoso. Mesmo assim, a deficiência desse nutriente continua sendo uma condição frequentemente silenciosa e subdiagnosticada. Uma revisão de pesquisas publicada em 2026, que analisou estudos entre 2020 e 2025 na atenção primária à saúde, apontou que a falta de vitamina B12 é comum em adultos e idosos e muitas vezes só é descoberta quando os sintomas já estão avançados.
A falta da vitamina pode causar alterações no sangue, neurológicas e neuropsiquiátricas. Entre os sintomas mais comuns estão cansaço persistente, fraqueza, anemia, formigamento nas mãos e pés, tontura, perda de memória, dificuldade de concentração, alterações cognitivas e mudanças de humor. O problema é que esses sinais costumam ser confundidos com estresse, envelhecimento ou outras doenças, atrasando o diagnóstico.
A deficiência permanece amplamente subnotificada e subdiagnosticada. Isso acontece porque muitas pessoas não apresentam sintomas claros ou possuem apenas manifestações discretas. Em alguns casos, a alteração é detectada apenas em exames específicos. A revisão mostrou que a prevalência pode variar de menos de 1% até mais de 40%, dependendo da população estudada, podendo ultrapassar 50% quando consideradas formas subclínicas da deficiência.

O envelhecimento aparece como um dos principais fatores de risco. Idosos tendem a absorver menos vitamina B12 ao longo dos anos, mesmo mantendo alimentação regular. Outro fator importante é o uso prolongado da metformina, medicamento amplamente utilizado no tratamento do diabetes tipo 2. Dietas restritivas, insegurança alimentar e baixo consumo de alimentos de origem animal também aumentam o risco.
A vitamina B12 é encontrada principalmente em alimentos de origem animal. Entre as principais fontes estão fígado bovino, carnes vermelhas, peixes, frango, ovos, leite, queijos e iogurtes. Estudos citados na revisão apontam que o consumo regular de laticínios pode ter efeito protetor, especialmente em idosos.

Para pessoas vegetarianas, veganas ou com restrições alimentares, especialistas recomendam acompanhamento nutricional para avaliar a necessidade de suplementação. Isso porque alimentos vegetais normalmente não possuem quantidades suficientes da vitamina em sua forma natural.
Pesquisadores defendem maior rastreamento na atenção primária e uso de exames complementares para melhorar a identificação precoce. A conclusão é direta: a deficiência de vitamina B12 pode ser silenciosa por anos, mas quando não tratada pode favorecer complicações neurológicas, cognitivas e funcionais que impactam diretamente a qualidade de vida.





