Toma analgésico com frequência? Neurologista revela quando dor de cabeça vira alerta vermelho

No Dia Nacional de Combate à Cefaleia, celebrado nesta terça-feira (19), a Rede Onda Digital conversou com o neurologista Dr. Ronaldo Rabelo para esclarecer um dos principais problemas de saúde que afeta milhões de brasileiros. Dados mostram que cerca de 31 milhões de pessoas no país sofrem de enxaqueca, e a condição é uma das mais incapacitantes do mundo. Mas afinal, quando uma dor de cabeça deixa de ser algo corriqueiro e merece atenção médica?
“Dor de cabeça nunca é normal na verdade. Mas ela deve chamar atenção, deve preocupar a pessoa quando é muito frequente, muito intensa, quando faz a pessoa perder dias de escola ou de trabalho, atrapalha o sono ou se acompanha de outros sintomas”, explica Dr. Ronaldo.
Ele ressalta que dores de cabeça crônicas podem acompanhar o paciente por anos, mas isso não significa que sejam aceitáveis. “Essas dores podem ser tratadas para que o paciente tenha menos dor, tanto em frequência quanto em intensidade.”
Quando a dor pode ser grave
O neurologista lista os principais sintomas que indicam que uma cefaleia merece investigação urgente. Entre eles estão: uma dor de cabeça nova em alguém que nunca teve; mudança no padrão habitual da dor (ficando mais frequente ou intensa); dor que acorda o paciente de madrugada ou persiste após o descanso; e dor acompanhada de sintomas como dificuldade para enxergar, febre, desequilíbrio ou perda de força em uma parte do corpo.
“Dor de cabeça que acontece após impactos cranianos ou no contexto de alguma doença, como um câncer, também acende o alerta”, acrescenta Dr. Ronaldo.
Cefaleias primárias
Existem mais de 200 tipos de cefaleia catalogados. As chamadas cefaleias primárias são aquelas em que a dor de cabeça é a própria doença, sem que exames identifiquem outra causa. Os três principais tipos são a cefaleia tensional, a migrânea (enxaqueca) e as cefaleias do grupo hemicraniano autônomo (que inclui a cefaleia em salvas). Cerca de 10% da população mundial sofre com esses quadros.
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Já as cefaleias secundárias são sintomas de outra condição, como meningite, AVC ou tumor. Por isso, a investigação médica é fundamental.
O risco da automedicação
Dr. Ronaldo dá um parâmetro claro: “Qualquer pessoa que precisa tomar analgésico mais do que três vezes por semana, por conta de dor de cabeça, e isso persiste ao longo de várias semanas, é alguém que pode se beneficiar de um atendimento médico.”
Ele alerta que o uso crônico de analgésicos pode mascarar doenças graves e ainda desencadear a chamada cefaleia por abuso de medicamentos (ou cefaleia de rebote), que altera o padrão da dor e dificulta o diagnóstico.
“Anti-inflamatórios em uso constante podem trazer dano aos rins e ao estômago. Paracetamol em doses altas pode afetar o fígado. O uso crônico de analgésicos não deve ser a primeira, nem a segunda, nem a terceira opção.”
Tratamento adequado
Segundo o neurologista, o primeiro passo é procurar um especialista para um diagnóstico preciso. A partir da identificação do tipo e da causa da cefaleia, é possível instituir um tratamento que reduza a frequência e a intensidade das crises. Para muitos pacientes, a dor não desaparece por completo, mas a melhora significativa traz ganhos de qualidade de vida, sono, humor e produtividade.
“Enxaqueca frequentemente é desencadeada por privação do sono, jejum prolongado, consumo de chocolate, shoyu (glutamato monossódico) ou frutas como abacaxi. Já atendi paciente que tem crise sempre que come abacaxi. Ao afastar o gatilho, a dor de cabeça já melhora bastante.”
O médico recomenda que quem sofre com dores de cabeça frequentes procure um neurologista para investigação e tratamento adequados. “Não é uma expectativa realista que a dor suma por completo, mas podemos esperar uma redução significativa. Isso traz melhora da qualidade de vida, do humor, do rendimento profissional e familiar. Tudo na vida da pessoa pode melhorar quando ela tem um tratamento adequado para dor de cabeça.”





