Castrou o pet? Veja os cuidados que podem evitar infecções, dor e até nova cirurgia

A castração é uma das cirurgias mais comuns realizadas em cães, gatos e até animais silvestres, mas o sucesso do procedimento depende muito dos cuidados no pós-operatório. Veterinárias ouvidas pela reportagem alertam que higiene, repouso e uso correto das medicações são fundamentais para evitar complicações graves.
A veterinária e bióloga Cathele Felix explica que muitos tutores acabam relaxando justamente após a cirurgia, quando o animal ainda está em recuperação. “É importante ministrar os remédios passados pelo veterinário, principalmente o antibiótico, o anti-inflamatório e o remédio para dor. Também é essencial manter o local limpo e não deixar o pet morder os pontos, porque pode abrir e precisar operar novamente”, alerta.

Castração ajuda a prevenir doenças graves
Segundo ela, além do controle populacional, a castração também ajuda a prevenir doenças graves. Nas fêmeas, o procedimento reduz o risco de piometra, gravidez psicológica e tumores mamários. Já nos machos, ajuda a evitar problemas na próstata e tumores nos testículos.
“A piometra é uma cirurgia de emergência. Se não tratar, o animal pode morrer”, reforça a especialista.
A veterinária Amanda Corocher explica que os cuidados variam entre machos e fêmeas. Nas gatas, por exemplo, a cirurgia exige abertura abdominal, o que torna o repouso ainda mais importante.
“Ela precisa ficar com roupinha cirúrgica ou cone, dependendo do perfil do animal. Algumas ficam muito estressadas com o cone e outras ficam paralisadas com a roupa”, comenta.

Amanda destaca que os curativos precisam seguir exatamente a recomendação médica. Alguns produtos duram 48 horas no corpo do animal, enquanto outros precisam ser aplicados duas vezes ao dia. Ela também alerta que saltos e brincadeiras podem causar rompimento dos pontos internos. “É necessário evitar que o animal fique pulando da cama, da mesa ou correndo pela casa. Existem pontos internos e o corpo ainda está cicatrizando”, explica.
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Nos machos, o cuidado muda um pouco. Como a região da cirurgia fica próxima ao ânus, normalmente não é possível usar roupinha cirúrgica. Por isso, o colar elizabetano, conhecido como “cone da vergonha”, acaba sendo o mais indicado. “Ele impede que o animal lamba a cirurgia e cause infecção ou abertura dos pontos”, afirma Amanda.

A veterinária também faz um alerta sobre os riscos das fêmeas arrancarem os pontos. “Além de infecção, elas podem sofrer evisceração, quando as vísceras podem sair para fora da cavidade abdominal. Isso pode levar o animal ao óbito”, explica. A retirada dos pontos geralmente acontece após dez dias, mas depende do processo de cicatrização de cada pet.
Outro problema comum, principalmente em gatos, é o surgimento de ceroma, uma espécie de bolha inflamatória formada entre as camadas suturadas. Amanda explica que isso costuma acontecer quando o animal não faz o repouso corretamente. Em alguns casos, a hérnia causada pela abertura interna dos pontos pode exigir uma nova cirurgia.
Amanda também alertou que atrasar ou deixar de dar os medicamentos pode causar sofrimento intenso ao animal durante a recuperação. “Quando o animal não toma o anti-inflamatório e o remédio para dor no período certo, ele vai sentir muita dor, pode parar de comer e ficar debilitado”, explicou. Segundo a veterinária, em casos em que os tutores não conseguem acompanhar os horários corretos das medicações ou fazer os curativos diariamente, o ideal pode ser manter o pet internado até a retirada dos pontos.
As especialistas também desmentem um medo comum entre tutores: a ideia de que castração causa doença renal. Segundo Amanda Corocher, o problema não está na cirurgia em si, mas em anestesias inadequadas e falta de exames pré-operatórios. “O mais importante é fazer avaliação pré-anestésica e seguir corretamente o pós-operatório. Em resumo, o segredo é repouso, higiene e medicação no horário certo”, finaliza.





